"A UE é ilegível e incompreensível", diz François Hollande

24 horas depois de terem começado a aparecer as projeções que davam a vitória à Frente Nacional nas eleições europeias em França, o Presidente francês falou ao país, através de uma mensagem televisiva, previamente gravada.

"A União Europeia é ilegível e deve retirar-se das áreas de onde não é necessária. A Europa, tornou-se ilegível, distante, incompreensível, mesmo para os Estados", disse François Hollande na mensagem, transmitida às 20.00, pela televisão.

"Isto não pode continuar, a Europa deve ser simples, clara, para ser eficaz onde se espera que o seja e para que retire de onde não é necessário", acrescentou, no mesmo dia em que esteve reunido, no Eliseu, com o Governo, com o objetivo de preparar a reunião de líderes desta terça-feira à noite em Bruxelas.

Esta deverá encetar as negociações sobre o presidente da Comissão Europeia. Apesar de ter vencido estas europeias, o Partido Popular Europeu, cujo candidato à sucessão de Durão Barroso é Jean-Claude Juncker, perdeu 61 eurodeputados. Ora, o PPE elegeu 213 eurodeputados. Para ser eleito, o presidente da Comissão, precisa de uma maioria absoluta de 376 eurodeputados em 751. Talvez por isso, a chanceler alemã, Angela Merkel, que apoia Juncker, tenha dado já a entender que o PPE estará disposto a negociar com os Socialistas e Democratas (o segundo maior grupo político na eurocâmara).

Na mensagem televisiva de hoje, Hollande constatou que "a União Europeia conseguiu ultrapassar a crise na zona euro, depois de ter estado próxima do fracasso, mas a que preço: o da austeridades, que acabou por desencorajar os povos". Portanto, prometeu o chefe do Estado francês, amanhã, "não mais tarde do que amanhã" reafirmará que "a prioridade é o crescimento, o emprego, o investimento.

Hollande sublinhou ainda que "a Europa não pode avançar sem a França, mas o futuro da França é na Europa". E garantiu: "Eu sou europeu, o meu dever é o de reformar a França e de reorientá-la para a Europa".

A reação do Presidente francês, socialista, surgiu depois de a Frente Nacional, partido de extrema-direita liderado por Marine Le Pen, ter ficado em primeiro lugar nas europeias com 25% dos votos. A UMP ficou em segundo lugar com 21% e o PS ficou em terceiro com 14%. Le Pen, cujo partido deverá passar de três para 24 eurodeputados, promete ir a Bruxelas na quarta-feira dar uma conferência de imprensa com os seus aliados. Falta ver quem são eles.

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