Obama leva propostas porta a porta no Ohio

Num estado que se pode revelar decisivo nas eleições de 4 de Novembro e especialmente atingido pela crise, o senador propôs reduzir os impostos às empresas que criem emprego e suspender a execução de hipotecas.

Os 20 votos do Ohio no Colégio Eleitoral podem fazer muita diferença nas presidenciais americanas de 4 de Novembro. Talvez por isso, Barack Obama tenha decidido que naquele estado o melhor mesmo era fazer campanha à moda antiga: porta-a-porta. E o campeão da recolha de fundos pela Internet lá foi, falando com uma velhota aqui, dando um beijinho a uma criança ali. Mas num estado industrial, fortemente atingido pelo desemprego e a crise económica, o candidato democrata não se esqueceu também de apresentar uma série de propostas económicas.


"É um plano que começa com uma palavra que está nas mentes de todos: EMPREGO", exclamou Obama em Toledo. Os últimos números, revelados em Agosto, mostraram uma forte subida do desemprego nos EUA, para 6,1%. Mas no Ohio, onde o encerramento de fábricas pôs fim aos postos de trabalho de muitos operários, os valores são de 7,4%.


Ligeiramente à frente do republicano McCain (49% contra 45%, segundo uma sondagem Marist) num dos estados que se podem revelar decisivos na escolha do sucessor de George W. Bush na Casa Branca, Obama apelou ainda à aplicação de uma moratória de 90 dias na execução de hipotecas e a uma redução dos impostos durante dois anos para as empresas que criem novos postos de trabalho.


Obama , que apoiara o plano de Bush para resolver a crise, aproveitou assim a sua presença num estado onde a economia é a principal preocupação para tentar aumentar a distância para o adversário republicano. O senador sublinhou ainda que as suas propostas deviam entrar em vigor "imediatamente", sem esperar pelas eleições.


No domingo, o candidato democrata percorrera as ruas de várias cidades do Ohio para convencer os seus habitantes a inscrever-se para votar. Uma operação de charme junto da classe média.


A 22 dias das eleições e a apenas dois do último debate entre Obama e McCain, a campanha do candidato republicano considerou, em declarações à CNN, as propostas de Obama como "uma jogada política que não irão trazer uma solução" para os problemas da economia americana.


Horas antes, McCain pronunciara o discurso que a sua equipa disse ser de "viragem" na campanha. Depois das críticas e dos ataques pessoais, pontuados por insultos e declarações racistas dos apoiantes, que marcaram os últimos comícios do candidato republicano, este decidiu "voltar ao essencial". E na Virgínia, estado onde tenta recuperar o atraso em relação a Obama, o senador garantiu: "Vou lutar para levar a América por novos caminhos do primeiro ao último dia do meu mandato."


Nos sectores republicanos, as últimas sondagens têm provocado uma onda de preocupação. Afinal, como os media americanos têm sublinhado, nenhum candidato recuperou uma desvantagem de quase dez pontos em apenas três semanas. Até William Kristol, fundador do muito conservador Weekly Standard, escreveu no New York Times que chegou o momento de McCain "dar uma volta" à sua equipa porque "não tem nada a perder".

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