O futuro dos derrotados não parece brilhante

Os republicanos perderam a Casa Branca e estão profundamente divididos.

Do ponto de vista dos republicanos, a mudança imposta pelo Presidente eleito, Barack Obama , foi uma verdadeira catástrofe. O partido familiarmente conhecido por Grand Old Party (GOP) teve um dos piores resultados de sempre e muitos analistas dizem que o candidato presidencial John McCain terá evitado uma punição mais severa.


McCain saiu pela porta grande, com um discurso de despedida em que defendeu a unidade nacional e elogiou o seu adversário: "Espero que Deus inspire o meu antigo rival e meu futuro Presidente", disse. Na sua opinião, Obama , o primeiro afro-americano eleito para a Casa Branca, representa "um grande avanço" para o país.


Mas se a derrota de ontem pareceu serena, o Partido Republicano enfrenta uma grave crise. Nos próximos dias começam as primeiras lutas pela liderança e uma nova geração deverá emergir. Mas o GOP enfrenta problemas demográficos (urbanização acelerada de alguns dos seus redutos) e sobretudo divisões internas, entre a franja fundamentalista cristã e as facções conservadora, ultra-liberal e moderada. Entre os grandes Estados, os republicanos têm controlado o Texas, mas até este terreno seguro teve sinais de degradação eleitoral. O partido perdeu Estados onde outrora reinou sem contestação e os ganhos democratas no sul só podem piorar.


John McCain já era um forte sintoma das divisões internas, um moderado sem apoio da ala mais à direita; daí a escolha de Sarah Palin para o lugar de vice-presidente. Palin pode ser uma das figuras da nova geração de republicanos de topo, mas as suas posições ultra-conservadoras em certos temas (aborto, armas, política externa) originaram forte reacção negativa nos media.


O sistema político americano é baseado no princípio de o vencedor por um voto ganhar tudo, mas isto não é possível sem haver consensos e mecanismos de equilíbrio que evitem a exclusão permanente das minorias. Ora, os republicanos parecem estar em perigo de se tornarem numa minoria permanente e em declínio.

Uma visão mais optimista irá sublinhar que o partido já esteve antes em situação difícil e a América ainda mais dividida do que está. Os republicanos elegeram Ronald Reagan, que lançou uma mudança de largo impacto apenas dois anos após os democratas terem conquistado o Congresso, enquanto tinham a Casa Branca. A proeza ocorreu de novo em 1994, embora apenas no poder legislativo.


Estas ressurreições milagrosas podem ser repetidas, dizem os optimistas, mas a recuperação do Congresso em 2010 terá um obstáculo: a falta de tema mobilizador. Este é o partido que defendeu impostos baixos e governo mínimo, fórmula que originou duas décadas de crescimento económico robusto. Mas as desigualdades sociais e a actual crise parecem negar a tese que deu tantas vitórias. Onde irá o GOP buscar nova inspiração? Irá o partido radicalizar-se à direita e apostar na oposição sistemática em temas sociais controversos?


Nesse caso, o ex-governador Mitt Romney poderá reaparecer. A opção alternativa será talvez a do centrismo e o caminho da fragmentação.

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