Coleccionador de 'Lincoln' dá apoio a John McCain

Deus, a pátria e o Partido Republicano são as três coisas mais importantes da vida de David Johnson. Isso e os seus carros da marca 'Lincoln'. Mas até estes não foram apenas escolhidos pelo seu conforto, mas sobretudo por evocarem Abraham Lincoln, o primeiro presidente republicano dos EUA. Este ano, o empresário de Salem, no Ohio, não tem dúvidas: Obama é perigoso e o seu voto vai para McCain e Palin.

O pai, de quem herdou a fábrica de pavimentos e revestimentos cerâmicos, a pátria, que considera na mira permanente do radicalismo islâmico, e o Partido Republicano, em que milita desde a adolescência, são as suas referências. Além de Deus, claro. O tripé em que assenta a vida de David Johnson, eventualmente o maior empregador do condado de Columbiana, no extremo oriental desse Ohio profundo e conservador, preenche-lhe os dias tão completamente que o milionário solteirão se dedicou ao coleccionismo de automóveis. Americanos, da marca Lincoln. Um gosto que não se deve aos carros, apesar de robustos e bonitos, mas antes à evocação de Abraham, o primeiro presidente dos EUA eleito pelo Partido Republicano que ele próprio fundou. A militância de Johnson, "um dos últimos representantes de uma raça em extinção, a direita conservadora assumida", tem a medida das paixões mais desvairadas.


Na garagem enorme em Salem, levantada onde havia outrora o heliporto particular da família, nas traseiras da mansão de tijolo que alardeia dias pretéritos de bonança, Johnson guarda as suas quatro jóias mecânicas. Polidas todos os dias, e todas com matrícula especial de três letras apenas - GOP, acrónimo de Grande Velho Partido, o outro nome do bloco republicano. A peça mais valiosa do relicário é também a mais antiga, um Lincoln de 1937. "Já só há sete exemplares", diz, garantindo que "nenhum tem a história deste: foi usado na inauguração da Golden Gate Bridge, em S. Francisco. E Dick Cheney ('vice' de George W. Bush) discursou na parte de trás em 2004".


Um orgulho do empresário que preside, desde 1989, aos republicanos do condado de Columbiana, sendo eleito sucessivamente, para representar o Ohio nas convenções nacionais do partido, desde a época de Bush pai. Johnson padece, no fundo, de militância genética, iniciada pelo seu avô, o fundador da Summitville Tiles e candidato ao Congresso em 1944. E o neto não renega as origens, antes as cultiva de forma exacerbada em momentos de maior tensão e contagem de espingardas. Como agora: "Barack Obama - candidato democrata à Casa Branca - vai iniciar uma revolução muçulmana extremista", diz, convicto ainda de que a eventual eleição do senador do Ilinóis "significará aumentar os impostos sobre empresas como a minha".


Que esteve no limiar da falência em 2004, obrigando-o a fechar duas das seis zonas de produção e a despedir 500 dos 750 funcionários, situação atribuída "aos chineses, que não pagam direitos a ninguém". Ele paga, aos empregados sobrantes, que "são como família. Têm é de perceber que, se Obama ganhar, será a morte da galinha dos ovos de ouro", diz. Já devem ter percebido, e não há um único sindicalizado desde a greve de 19 meses, por altura da Grande Depressão, que quase matou a fábrica fundada em 1912.


Jonhson diz que é empresário primeiro e só depois político. Nessa qualidade analisa a crise actual, cuja duração "dependerá de quem ganhar as eleições. Se for Obama , um socialista rodeado por extremistas de esquerda que querem distribuir a riqueza pelos pobres, vai agravar-se", garante, entre dois bourbons com muito gelo no melhor restaurante da zona, que, por acaso, também é dele. E ao terceiro copo já confessa a paixão pelo presidente cessante, evocando emocionado as duas vezes que Bush o cumprimentou, certo de que a História o absolverá por ter invadido o Iraque e "evitado que viesse a ter armas de destruição maciça. Saddam era como Hitler, uma ameaça ao mundo livre, e Bush livrou-nos dele".


Mas não da ameaça terrorista: "Pelo contrário, os inimigos estão mais perigosos, e tentarão um ataque nuclear aos EUA", alvitra, acreditando que John McCain será "o homem indicado para promover a segurança nacional". Algo que o republicano inveterado de 49 anos, coleccionador de Lincoln e admirador de Bush, já não estará capaz de fazer após o quinto copo. Entre duas considerações entusiasmadas, e muito pouco políticas, sobre Sarah Palin.

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