A mãe de cinco filhos que já corre para 2012

Palin alimenta paixões e ódios. McCain parece cada vez mais cansado.

Desde que Sarah Palin entrou na corrida para a vice-presidência de John McCain, na convenção republicana de Setembro, as opções dos eleitores oscilam de facto entre o primeiro negro que pode chegar à Casa Branca, Barack Obama , e a governadora do Alasca, cuja campanha deixou excitados os conservadores mais empedernidos. As mulheres também apreciaram - segundo a Time, antes da convenção preferiam Obama por 10%; logo após a escolha de Palin, a vantagem caiu para 1% -, com muitas Wall-Mart moms (mamãs dos hipermercados) a reverem-se nela. E a procurarem capitalizar o interesse dos companheiros pela sua figura, invejável numa mãe de cinco filhos, imitando-lhe o estilo e o gosto, principalmente nos óculos. O que talvez não chegue para ganhar eleições, porque a sua agressividade sem substância se atrai muitas eleitoras, também é susceptível de obliterar o voto feminino. Fundamental em quaisquer eleições.


Mas o voto de Duke Wheeler, agricultor de 54 anos temente a Deus, está garantido. Casado e pai de três filhos, teve uma inspiração súbita assim que viu aquela "mulher entusiasmante" na TV. "Tem valores familiares muito fortes. Parece honesta e muito inteligente não do ponto de vista académico mas do senso comum, e é disso que Washington precisa", diz ele, que levou a excitação para o trabalho. Na sua quinta de 120 hectares em Whitehouse, Noroeste do Ohio, pegou no tractor com sistema de navegação GPS e, em oito horas, desenhou um retrato gigante de Palin num campo de milho superior a seis campos de futebol. Ajudado pelo filho, Duke Jr., de 23 anos, que acha Palin "espantosa. Se um dia me casar, será com uma mulher assim", garante.


Homens como ele apreciam em Palin o charme maduro e a compostura agressiva. Sozinha, ela debita mais testosterona do que os seus correlegionários masculinos - chamam-na de "pitbull de batom" -, designadamente McCain, o velho soldado que parece cada vez mais cansado desta guerra presidencial. E também de Palin, cuja campanha paralela, segundo observadores, visa a possível candidatura em 2012. Seria perfeito para Loren Taylor, que então terá 19 anos e poderá votar. A adolescente de Burlington, Columbus, traz a devoção por Palin na T-shirt rosa e no discurso apaixonado: "Ela é espectacular. Representa todas as mães da América", diz a rapariga, cujo acne disfarça com ampla camada de poeira cosmética. "Quando me casar, quero ser assim. Mas acho que devia soltar mais o cabelo, senão fica muito parecida com uma professora minha que não aprecio muito. E os óculos dela são o máximo!", assegura.


Outras acham o mesmo. A procura por modelos similares disparou logo em Setembro, segundo a óptica do hipermercado Wall-Mart de Troy, perto de Dayton. "Por acaso, havia óculos em stock, e voaram em duas semanas", diz a balconista Robin Bayliss, com uma armação de 84 dólares. Um bocadinho menos do que os 600 pagos por Palin, segundo contas dos media, que também lhe denunciaram o guarda-roupa de 150 mil dólares patrocinado pelos republicanos. E é esse escrutínio que irrita a doméstica Mary Janvarsky, de 38 anos. "Não se via nada assim desde Jacqueline Kennedy. Não falam das ideias dela, mas da roupa que usa", resmunga, filho pequeno pela mão. Algo feminista e independente, preferia Hillary: "Palin não tem competência no campo da economia", observa, desiludida. "Mas ser mulher já é positivo."


Não chega, porém. Janvarsky é o arquétipo das mulheres que têm decidido eleições dos EUA. Em 1996, eram as "mães soccer", que Bill Clinton seduziu; depois do 11 de Setembro, foram as "mães securitárias" que renovaram o mandato a George W. Bush. Volvidos quatro anos, são cerca de 12% do eleitorado, que vota não por solidariedade de género, mas antes conforme as suas ansiedades, multiplicadas entretanto: economia, saúde e educação são prioritárias. O que talvez explique que, passado o "efeito Palin" inicial, a sondagem da Time tenha voltado a pôr Obama na liderança do voto feminino, com 55% para 38%.

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