Maria João Sande Lemos elogia postura modesta e simples

A fundadora do movimento Nós Somos Igreja Maria João Sande Lemos mostrou-se hoje "agradavelmente surpreendida" com a escolha do novo papa e elogiou a sua postura "modesta e simples", que considera importante para "desvaticanizar" a Igreja Católica.

Em declarações à agência Lusa, a ativista pelos direitos das mulheres e fundadora em Portugal do movimento internacional que defende reformas na Igreja Católica mostrou uma "grande esperança" na influência que a maneira de ser do chefe da Igreja terá na instituição.

"Não o conhecíamos, mas acho que ficámos agradavelmente surpreendidos, desde já pela escolha do nome -- Francisco, altamente revelador da sua postura -, pelo seu currículo, por ser jesuíta, pela maneira modesta e simples como se apresentou no balcão, a pedir que rezássemos por ele. Foi tão sentido", afirmou.

A fundadora do movimento acrescentou que as informações que tem sobre Jorge Mario Bergoglio é de que tem "uma vida de grande simplicidade".

Reconhecendo que o papa Francisco tem uma "missão muito difícil, a de 'desvaticanizar' a Igreja", Maria João Sande Lemos disse esperar que o papa Francisco "ponha as dioceses a funcionar, convoque conferências episcopais e ponha o povo de Deus a testemunhar", ou seja, que oiça todos os membros da instituição de uma forma mais alargada.

"A Igreja funciona até agora como uma monarquia, eles é que mandam. As conferências episcopais não são ouvidas", considerou.

O movimento Nós Somos Igreja tem defendido uma profunda reforma na Igreja Católica, assente, por exemplo, numa nova atitude em relação às mulheres e na valorização da sexualidade como elemento constitutivo do ser humano criado por Deus.

O cardeal argentino jesuíta Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, foi hoje eleito papa pelos 115 cardeais reunidos em Roma, adotando o nome de Francisco.

Francisco sucede a Bento XVI, que resignou no dia 28 de fevereiro, e é o 266.º papa da Igreja Católica.

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