Irmão de cardeal prefere que ele não seja papa

António, irmão de Manuel Monteiro de Castro, um dos dois cardeais portugueses com direito de voto confessou ter "fé" de que o "divino Espírito Santo" guie o conclave para que a escolha não recaia sobre o irmão. "Já não tem a idade que a Igreja precisa que este novo papa tenha", explica, embora as gentes da terra admitam que teria "piada" que fosse dali o sucessor de Bento XVI.

Um dos três portugueses cardeais Manuel Monteiro de Castro, de Santa Eufémia de Prazins, Guimarães, tem o poder de participar na escolha do sucessor de Bento XVI, mas, quando regressa à terra natal "põe-se ao serviço" do pároco local.

Com José da Cruz Policarpo, Manuel Monteiro de Castro é um dos dois cardeais portugueses com direito de voto no conclave que começa na terça-feira na Capela Sistina, em Roma. O terceiro cardeal, José Saraiva Martins, por ter mais de 80 anos, não pode votar, mas pode ser eleito papa.

Segundo António Monteiro de Castro, o irmão cardeal deixou o Minho "cedo", para "partir por esse mundo fora em missão".

Para este engenheiro civil, o irmão é "um diplomata da igreja", que vive a fé de forma "muito intensa", como todos aprenderam em casa.

"Tivemos todos a mesma educação. A fé e os valores cristãos acompanharam-nos a todos, mas só ele seguiu este caminho", explicou.

Já se imaginou irmão do papa? "Não. Aliás, espero que o divino Espírito Santo ilumine o conclave para que isso não aconteça", respondeu, embora salientando que é pelo irmão "já não ser novo" e porque "também nunca ambicionou ser papa".

Manuel Faria é o pároco da terra. De Manuel Monteiro de Castro disse que este é, "acima de tudo, um servo de Deus", a quem destacou a "humildade" no trato, apesar de ter o "poder" de votar na escolha do Sumo Pontífice.

"Ele é um cardeal, eu um simples padre. Ainda assim, quando vem cá, faz questão de dizer que está ao meu serviço para ajudar na eucaristia e no que eu quiser. Poucos têm esta noção de missão e de servir a Igreja", apontou, num elogio ao atual penitenciário-mor da Santa Sé.

No largo da Igreja de S. Eufémia, Maria Silva, "Micas", 75 anos, revela que o "senhor bispo cardeal" é o "orgulho" da freguesia, que conta com cerca de 1.100 habitantes, e que a casa da família Monteiro de Castro é "referência" na terra.

"Aqui todos sabem onde a família Monteiro de Castro mora. Afinal, não há um cardeal em todas as esquinas", salientou 'Micas', em conversa com a Lusa no largo da igreja local.

"Somos poucochinhos, mas temos um cardeal", regozijou-se.

Gostava que o próximo papa fosse aqui da terra? "Oh Senhor Deus. Era um gosto. O que eu não ia chorar. Mas isso pode ser?", questionou.

Pode. "Era uma alegria", respondeu. Depois de alguns segundos a pensar na possibilidade do sucessor de Bento XVI ser de S. Eufémia, a 'Micas' desculpou-se pela "malandrice" que ia dizer.

"Íamos ser mais conhecidos que Lisboa e os senhores da gravata de seda", afiançou.

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