Metade dos católicos estão na América Latina e em África

A América Latina é a região com mais católicos no mundo, mas a África é o continente onde a Igreja mais tem crescido. Juntas têm mais de metade dos católicos, mas apenas 30 dos 115 cardeais elegíveis.

Numa altura em que a Igreja Católica se concentra na eleição do novo papa, após a resignação de Bento XVI a 11 de fevereiro, muitos acalentam a esperança de ver eleger um papa de fora da Europa.

Com 48% dos católicos do mundo e uma Igreja com quase cinco séculos de história, a América Latina surge como candidata natural, mas a África, onde o número de católicos mais tem crescido, não passa despercebida.

"A importância do catolicismo em África é enorme. É de longe o continente onde o catolicismo mais cresce, tem crescido exponencialmente nos últimos anos, ao contrário do que está a acontecer na Europa e na América do Norte", disse à Lusa o padre Tony Neves, provincial dos missionários Espiritanos.

Segundo o anuário pontifício divulgado em 2012 por Bento XVI, a África e a Ásia/Pacífico foram as únicas regiões onde aumentou a percentagem de católicos no total das populações face ao ano anterior.

Na América do Sul, a proporção caiu de 28,54 para 28,34% e na Europa baixou de 24,05% para 23,83 %, enquanto na África aumentou de 15,15% para 15,55% e no sudeste da Ásia passou de 10,41% para 10,87%.

Por outro lado, diz o bispo de Lamego e presidente da Comissão Episcopal da Missão e Nova Evangelização, a Igreja africana "está pujante, cheia de vida, com imensa juventude".

"Nota-se um cristianismo muito alegre, dinâmico. Cristo entra no coração dos africanos quase naturalmente", disse António Couto.

O bispo dos missionários recorda que África "é também um continente martirizado", o que denota "a vitalidade da igreja africana e a sua atitude heroica".

O padre João Nascimento, missionário na Costa do Marfim, diz por seu lado que o catolicismo africano "é jovem, alegre e entusiasta, e vive a sua fé não tanto de uma forma racional, mas mais celebrativa". "Isso faz uma igreja muito diferente do que o que temos por aqui", refere.

Também a América Latina tem um catolicismo muito diferente do europeu, destacam os religiosos contactados pela Lusa.

O padre Ramon Casallas, que durante 15 anos foi missionário naquela sub-região, destaca que na América Latina há um "catolicismo muito popular".

"O povo tem uma fé com muitas devoções, a santos, romarias, peregrinações", exemplifica, considerando que seria positivo um papa proveniente da América do Sul porque resultaria num catolicismo mais assente nas bases, "mais pela linha dos pobres".

O bispo de Lamego, por seu lado, destaca o facto de naquela região se viver "um cristianismo a partir das casas, que entra dentro das casas".

"Talvez estejamos a precisar disso aqui na Europa - levar o cristianismo para as famílias - e a América Latina tem-se especializado nesse domínio", disse.

O padre Tony Neves recorda que a Igreja na América Latina teve um crescimento muito grande durante todo o século XX e o que tinha a crescer já cresceu, ao contrário da igreja africana.

"Em contrapartida está a amadurecer muito", disse, admitindo que o rápido crescimento daquela Igreja tenha facilitado a entrada de algumas seitas.

O missionário Ramon Casallas sublinha também que a América Latina "já tem uma tradição católica de praticamente cinco séculos", o que poderá dar-lhe vantagem face à Igreja africana, que tem "um cristianismo muito jovem, de 150 anos".

O próximo papa vai ser escolhido por 115 cardeais, 60 dos quais europeus, 19 da América Latina, 14 da América do Norte, 11 de África, dez da Ásia e um da Oceânia.

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