Índia envia representante acusado de violação

A decisão da Índia de enviar, à missa de início do pontificado de Francisco, um político acusado de participar na violação de uma adolescente foi hoje criticada pela família da alegada vítima e pela oposição.

P.J. Kurien, presidente-adjunto da câmara alta do parlamento indiano, vai liderar a delegação indiana à missa de inauguração do pontificado do papa Francisco, apesar de ter sido acusado de participar numa alegada violação coletiva de uma adolescente de 16 anos em 1996.

A vítima, católica, acusou Kurien de ter sido um dos 42 homens que a violaram, depois de ter sido sequestrada durante 40 dias em Kerala, no sul da Índia.

Kurien, de 72 anos, foi absolvido da acusação de violação em 2005. Mas a jovem mulher pediu a abertura de um novo inquérito, na sequência da violação de uma estudante num autocarro em Nova Deli, em dezembro passado. Este caso chocou o país e desencadeou um debate sobre a forma como as mulheres são tratadas na Índia.

O pedido foi rejeitado por um tribunal, mas a tentativa de reabrir o processo causou alguns problemas ao partido do Congresso, líder da coligação governamental, que prometeu agravar a legislação sobre crimes sexuais depois da violação de dezembro.

O pai da vítima de 1996 condenou a decisão do governo.

"Fico aflito quando leio as notícias. É uma ofensa ao novo papa", disse à agência noticiosa francesa AFP, num contacto telefónico.

Os católicos de Kerala - Trivandrum é capital da província - representam 19% da população local, de acordo com o recenseamento de 2001.

Em fevereiro, centenas de manifestantes acamparam, em frente ao parlamento local, durante vários dias, para tentar obrigar Kurien a demitir-se do cargo.

O antigo chefe do governo de Kerala V.S. Achuthanandan, do partido comunista, considerou que Kurien tinha usado a "influência política" para fugir ao processo.

"O partido do Congresso envia-o talvez para poder ser perdoado pelo novo papa", ironizou.

A AFP não conseguiu entrar em contacto com Kurien, também católico.

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