Fumo branco no Vaticano: 'Habemus Papam'

Às 18.06 saiu fumo branco da chaminé da Capela Sistina, indicando a eleição do novo papa. Os sinos da Basílica de São Pedro começaram também a tocar a repique, anunciado que foi encontrado o sucessor de Bento XVI.

Espera-se agora que o cardeal francês, Jean Louis Tauran (caso não tenha sido ele o eleito), venha à varanda da Basílica de São Pedro pronunciar as famosas palavras: "Habemus Papam" e apresente o novo Sumo Pontífice.

O novo papa tem que escolher o nome pelo qual será conhecido, depois recolher à sala das Lágrimas e vestir as vestes papais, antes de surgir à varanda. Quando foi eleito Bento XVI, passaram 45 minutos entre o fumo branco e o momento em que apareceu diante da multidão.

"Annuntio vobis gaudium magnum: habemus papam! Eminentissimum ac reverendissimum Dominum, Dominum...Sanctae Romanae Ecclesia Cardinalem..., Qui sibi nomen imposuit...", dirá Tauran em latim.

[Anuncio-vos uma grande alegria, temos um papa, o muito eminente e reverendo senhor, o senhor (nome do eleito, traduzido em latim), cardeal (apelido do eleito não traduzido) da Santa Igreja romana o qual escolheu o nome de ... (nome do eleito)].

A multidão na praça festejou a eleição, depois de inicialmente alguma dúvida em relação à cor do fumo. Mas alguns segundos depois, começaram a tocar os sinos a repique, afastando qualquer dúvida. "Viva o papa", grita-se.

Os 115 cardeais eleitores reuniram-se a partir das 15.00 na Capela Sistina para eleger o sucessor do papa Bento XVI, que renunciou a 28 de fevereiro. De manhã, as duas votações terminaram sem que houvesse consenso, tendo saído fumo negro da chaminé.

Segundo o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, o facto de não ter sido escolhido logo de manhã um novo papa era muito normal. "É mais ou menos o que esperávamos. Este resultado é considerado muito normal. Só o conclave de 1939 é que Pio XII foi eleito à terceira volta do escrutínio", afirmou na conferência de imprensa diária, à hora do almoço.

O porta-voz assegurou que isso não é "sinal de divisão" entre os cardeais, mas sim do seu "discernimento" diante da escolha do 266.º papa da Igreja Católica. E disse que era impossível saber se a escolha será "nas próximas horas ou nos próximos dias". Segundo Lombardi, "uma boa hipótese para a primeira missa [do novo papa] é ser dia 19 de Março", quando se assinala o Dia de São José e do Pai.

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