Argentinos "surpresos" e "contentes" com Papa Francisco

Os católicos argentinos dizem-se "contentes" e "surpresos" pela escolha de Jorge Mario Bergoglio como novo papa mas admitem que estavam a torcer pelo brasileiro Odilo Scherer, por acreditarem que tinham mais hipóteses de ser escolhido.

"Recebi a notícia com muita surpresa, quando estava no trabalho. Percebemos que estavam falando desse tema e quando vimos foi mesmo uma grande surpresa, porque ninguém esperava", afirmou à Lusa pelo telefone o argentino Alvaro Giménez, da cidade de Rosário.

De acordo com o engenheiro, de 34 anos, ninguém falava na possibilidade de Bergoglio tornar-se papa até ao momento do anúncio, o que levou os próprios argentinos a torcerem pela escolha do candidato do Brasil, considerado mais forte, o cardeal arcebispo de São Paulo, Odilo Scherer.

Francisco, então cardeal-arcebispo de Buenos Aires, enfrentou o Governo de Cristina Kirschner em várias matérias, entre as quais o reconhecimento do casamento entre homossexuais.

Na avaliação de Giménez, com o novo cargo, as opiniões de Borgoglio sobre a Argentina e a forma como o governo atual está a conduzir o país serão mais ouvidas e ganharão "peso internacional".

"Acho que agora vamos ouvir mais a voz à crítica ao Governo, porque o que diz Bergoglio será ouvido por mais gente, em todo o mundo, inclusive na Argentina", disse Álvaro Giménez, a dar como exemplo as críticas à forma como o Governo Kirchner está a conduzir a política de imprensa.

João Flávio Falaschi, brasileiro que está a viver em Buenos Aires, também recebeu a notícia durante o trabalho que gerou um breve momento de "comoção" entre os colegas argentinos.

"Estava em uma reunião e ouvimos certa comoção da sala, algumas pessoas falaram 'habemus papam' e quando entrámos na internet para ver foi uma surpresa", relata o brasileiro, que poucos minutos depois já passou a receber brincadeiras dos colegas pelas redes sociais.

Pelo microblog twitter, o assunto também reascendeu a velha rixa entre Brasil e Argentina, com os brasileiros a admitirem a "derrota" perante os vizinhos com bom humor.

"Ateísmo bate record no Brasil após eleição de Papa argentino" ou "Será que a nomeação do papa argentino vai impulsionar as igrejas evangélicas no Brasil?", "Pastor pregando: 'O Papa torce para o Boca Juniors'", são só alguns dos exemplos das comentários que se multiplicam pelo microblog na internet.

Argentino de ascendência italiana, Jorge Mario Bergoglio tornou-se hoje o primeiro papa latino-americano da história e também o primeiro jesuíta.

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