"Portugal venceu este desafio"

Jornalistas africanos dizem que cimeira foi frutífera e elogiam a organização.

Encantados com a organização, surpreendidos com Portugal, certos de que esta cimeira iniciou uma relação de igual para igual entre Europa e África . É esta a impressão com que muitos jornalistas africanos saíram da reunião que juntou em Lisboa os chefes do Estado e do Governo dos dois continentes ao longo deste fim-de-semana.

 

"Esta foi uma cimeira excelente, com uma organização muito boa, grande participação", diz Abdoulaye Thiam, jornalista do diário senegalês Le Soleil, esclarecendo que apoia o seu Presidente, Abdoulaye Wade, na contestação ali trazida pelo seu país aos novos acordos económicos. Thiam acha que é preciso uma nova abordagem.

 

"A cimeira foi frutífera, especialmente para África , pois vai conduzir a uma nova relação. Esta reunião foi considerada uma oportunidade de ouro por ambas as partes", afirma Hashim Ahmad, da Agência de Notícias do Sudão, país cujo Governo foi alvo de fortes pressões na cimeira devido ao conflito e às violações dos direitos humanos na região do Darfur.

 

Ao vir a Lisboa para fazer a cobertura da cimeira , Ahmad pisou pela primeira vez solo europeu. E gostou, tal como os colegas, apesar de não ter tido tempo para ver muita coisa. "Nós gostámos muito das gravatas", diz o jornalista sudanês, referindo-se a um dos presentes que a presidência portuguesa da UE tinha preparado para os participantes dos media.

 

"O centro para os media é muito bom e tem boas comunicações", refere o líbio Almrghni Naji, chefe de redacção do diário The Sun, com sede em Tripoli. Quanto aos resultados da cimeira , se alguma coisa vai mudar daqui para a frente, entre UE e África , responde: "A nova parceria significa que nos ouvimos, que não há professores e alunos, a quem esses professores vêm dar lições sobre direitos humanos."

 

A reunião de Lisboa, na opinião de Salim Togola, foi um símbolo forte, uma vez que Europa e África são parceiros ligados pela história e geografia e com problemas comuns. Jornalista do L'Essor, diário nacional do Mali, Togola elogia a presidência portuguesa. "Foi um sucesso em termos de organização, Portugal venceu este desafio, o que dará mais peso político a um país que é pequeno e à sua presidência."

 

José Meireles, chefe de reportagem do Jornal de Angola, considera, por seu lado, que as mudanças advirão do facto de os africanos terem conseguido colocar-se em pé de igualdade face à Europa. A organização, essa, foi boa ."Portugal provou ter maturidade para eventos de grande envergadura. Até fiquei surpreendido porque os portugueses têm muita fama de serem agarrados [risos]."

 

À margem. Além dos políticos, há outros protagonistas na cimeira , como os jornalistas, que tentam obter a melhor imagem, o pessoal da logística, que assegura todos os pormenores, e ainda as forças de segurança, sempre vigilantes.

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