"A Cimeira UE-África não deve ser só retórica"

O senhor Kadhafi disse que os povos que foram colonizados têm de ser indemnizados. Não era esta a abordagem que a UE queria evitar na cimeira ?
Não ouvi o que ele disse. Mas acho que não devemos olhar para o passado, mas sim para o futuro, pois se não ficarmos presos ao passado não teremos um futuro comum.

 

Alguns parlamentares dirigiram uma carta à cimeira a pedir que o Darfur seja discutido. Não acha que esta questão até é mais importante do que a controvérsia sobre Mugabe?
Tudo é importante. Nós queremos promover a democracia parlamentar em África . Algo que é essencial para controlar os governos. Todos os problemas e desafios, da UE, do mundo, podem ser levantados na cimeira - incluindo Darfur.

 

Alguns analistas dizem que a China tem maior facilidade em agir financeiramente em África devido à ausência desse controlo parlamentar...
Não há organização a gastar mais dinheiro em África do que a UE e queremos agora uma parceria com base na democracia, Estado de direito, direitos humanos e também estamos comprometidos com a ajuda financeira. Mas está tudo relacionado entre si.

 

Mas como pode a Europa competir com a China... era esse o sentido da pergunta...
A força da Europa reside no facto de ser composta por democracias e querer que os países africanos também o sejam. Os nossos valores são a nossa força. A China, com a sua ditadura, é um sistema muito diferente de valores. E os nossos são mais fortes.

 

Alguns dos líderes da UE não estão presentes na cimeira . O que é que isto diz sobre o interesse global que ela desperta?
A maioria está aqui, os presidentes da Comissão Europeia e do Parlamento Europeu também, isso mostra um compromisso forte com esta nova parceria estratégica e eu aprecio muito o trabalho da presidência portuguesa.

 

O ministro dos Negócios Estrangeiros português costuma dizer que esta cimeira marca o fim do paradigma da conferência de Berlim (século XIX). Também partilha desta visão sobre a cimeira ?
Luís Amado tem uma visão interessante. Eu diria que é necessária uma nova parceria estratégica e que este é um bom começo.

 

Mas a cimeira é meramente simbólica...
É, mas serve para dar nova qualidade às relações, não deve ser uma cimeira só de retórica e a realização dos compromissos deve começar logo em seguida.

 

A UE tem dado muito dinheiro sem controlo aos governos africanos, mas, agora, isso deve mudar...
O dinheiro é só uma dimensão, não é a solução, agora devemos, passo a passo, desenvolver um programa de apoio ao parlamentarismo nos países africanos.

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