Dalai Lama não vai ao funeral de Mandela

O Dalai Lama não vai comparecer ao funeral de Nelson Mandela, disse hoje um porta-voz do líder espiritual à agência noticiosa AFP, não esclarecendo se a sua ausência se aplica também às cerimónias fúnebres agendadas para terça-feira.

"Ele não tem planos para ir", disse o porta-voz, Tenzin Takhla, à AFP em Dharamsala, cidade onde o líder espiritual tibetano está sediado.

O Dalai Lama viu um pedido de visto recusado pelas autoridades sul-africanas há dois anos, quando foi convidado para dar uma palestra no âmbito das celebrações do 80.º aniversário de Desmond Tutu, parceiro de Mandela na luta contra o 'apartheid'.

Esta foi, de resto, a segunda vez que Pretória recusou o visto ao Dalai Lama, uma vez que já tinha feito o mesmo em 2009.

A morte de Nelson Mandela, aos 95 anos, foi anunciada na quinta-feira à noite pelo Presidente da República da África do Sul, Jacob Zuma, motivando de imediato reações de pesar a nível mundial.

"A nossa nação perdeu o maior dos seus filhos", disse Jacob Zuma, anunciando que a bandeira sul-africana vai estar a meia-haste até ao funeral de Estado, marcado para 15 de dezembro.

O Comité Nobel norueguês considerou hoje Nelson Mandela, que esteve preso quase trinta anos pela sua luta contra o regime "apartheid" da África do Sul, "um dos maiores nomes da longa história dos prémios Nobel da Paz".

Mandela foi o primeiro Presidente negro da África do Sul, entre 1994 e 1999.

O Dalai Lama está radicado na Índia desde que saiu da China, em 1959, no seguimento de um falhado levantamento popular contra o regime chinês.

Desde então, a China tem procurado limitar as suas viagens, avisando os governos que uma receção oficial ao Dalai Lama pode ter consequências nas relações diplomáticas, dado que Pequim acusa o líder espiritual do Tibete de fomentar problemas e de ser um separatista, acusações a que o Dalai Lama responde dizendo que procura apenas mais autonomia para o seu povo, sem recurso à violência.

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