Ontem foi um bom dia

Um terrorista morreu ontem, sabias? Diz-me lá mais. Foi morto em combate. Então, não só se perdeu um terrorista como se combateu a impunidade. O terrorista que mataram era chefe. Prefiro um chefe terrorista morto a um simples terrorista morto. Mais do que chefe, era o líder. Melhor ainda. O morto foi o Ben Laden, da Al-Qaeda, com comparsas que podiam fazer da sua sepultura um lugar de propagação do ódio. Isso já me preocupa. Na verdade, deitaram o corpo dele ao mar. Então, hoje é só boas notícias. Boa notícia a morte de um homem? Depende. Como depende? Se é um terrorista que morreu sendo terrorista, que continuava matando e só o facto de estar vivo encorajava outros a matar, a sua morte é uma boa notícia. Mas isso faz-nos iguais aos que fizeram festa com as mortes nas Torres Gémeas. Não, esses gostaram da morte de inocentes que estavam nas Torres Gémeas, eu estou a dizer-te que gostei da morte de um terrorista, que continuava matando e só por estar vivo encorajava outros a matar. Pode gostar-se da morte de alguém? Se é de um terrorista, que continuava matando e só por estar vivo encorajava outros a matar, pode. Estás a ser um bocado repetitivo. É de propósito, não quero que penses que confesso ter gostado da morte do terrorista. Então, não confessas? Não, o que estou é a dizer-te, sem confissão, arrependimento ou vergonha, que gostei de saber que Ussama ben Laden foi morto.

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