Ontem foi um bom dia

Um terrorista morreu ontem, sabias? Diz-me lá mais. Foi morto em combate. Então, não só se perdeu um terrorista como se combateu a impunidade. O terrorista que mataram era chefe. Prefiro um chefe terrorista morto a um simples terrorista morto. Mais do que chefe, era o líder. Melhor ainda. O morto foi o Ben Laden, da Al-Qaeda, com comparsas que podiam fazer da sua sepultura um lugar de propagação do ódio. Isso já me preocupa. Na verdade, deitaram o corpo dele ao mar. Então, hoje é só boas notícias. Boa notícia a morte de um homem? Depende. Como depende? Se é um terrorista que morreu sendo terrorista, que continuava matando e só o facto de estar vivo encorajava outros a matar, a sua morte é uma boa notícia. Mas isso faz-nos iguais aos que fizeram festa com as mortes nas Torres Gémeas. Não, esses gostaram da morte de inocentes que estavam nas Torres Gémeas, eu estou a dizer-te que gostei da morte de um terrorista, que continuava matando e só por estar vivo encorajava outros a matar. Pode gostar-se da morte de alguém? Se é de um terrorista, que continuava matando e só por estar vivo encorajava outros a matar, pode. Estás a ser um bocado repetitivo. É de propósito, não quero que penses que confesso ter gostado da morte do terrorista. Então, não confessas? Não, o que estou é a dizer-te, sem confissão, arrependimento ou vergonha, que gostei de saber que Ussama ben Laden foi morto.

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O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

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Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.

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Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)