Director da CIA admite tortura na obtenção de informação

O director da CIA, Leon Panetta, admite que, na longa investigação que levou à operação contra Osama bin Laden, algumas das informações iniciais foram obtidas com recurso a tortura nas prisões secretas dos serviços de espionagem norte-americanos, numa altura em que os EUA eram presididos por George W. Bush.

Ao longo da última década, a CIA recorreu à asfixia simulada, conhecida por "waterboarding", para obter informação sobre o líder da Al-Qaeda. Um dos detidos chegou mesmo a ser submetido 183 vezes a "waterboarding" para o obrigar a dar informação chave na busca por Bin Laden, escreve o jornal espanhol Público.

À NBC, o actual director da CIA insiste que a investigação que levou à morte do terrorista número um do mundo teve origem em "muitas fontes de informação". Mas Panetta admite que, "neste caso, as técnicas de interrogatório coercivas foram empregues contra alguns dos detidos": "O debate sobre se podíamos ter obtido a mesma informação através de outros enfoques creio que será para sempre uma pergunta em aberto", vincou. Questionado sobre se uma das técnicas usadas foi o "waterboarding", o director da CIA respondeu: "correcto".

Mas o The New York Times analisou os relatórios dos interrogatórios a detidos em Guantánamo e concluiu que o uso de tortura falhou na obtenção de informação. A descrição do mensageiro de Bin Laden foi obtida junto de um dos prisioneiros menos sujeitos a interrogatórios duros. Os prisioneiros mais sujeitos a tortura conseguiram ludibriar os serviços secretos (ver relacionado)

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