Serviços secretos paquistaneses só "partilharam" informação

A principal agência de serviços secretos paquistanesa (ISI) confirmou hoje, terça-feira, que "partilhou" informações com os Estados Unidos sobre Osama Bin Laden, mas negou a participação de forças paquistanesas na operação que acabou com a morte do líder da Al-Qaida.

Em declarações à EFE, um alto responsável da ISI sustentou que a colaboração em matéria de informações secretas foi o único papel assumido pelo Paquistão na operação de captura, sem precisar se foi decisiva para lançar o ataque ou para conhecer o paradeiro de Bin Laden.

"O presidente [dos Estados Unidos, Barack] Obama referiu-a [a colaboração do Paquistão] na declaração. Disse que o Paquistão tinha sido um factor instrumental na partilha de informação. Ficou-se por aí a nossa cooperação", assegurou a fonte, que pediu para não ser identificada.

O responsável da ISI insistiu que não houve uma "participação física" do Paquistão, apenas troca de informações.

Mesmo assim, o responsável precisou que não podia dar pormenores sobre se os Estados Unidos actuaram a partir de informações disponibilizadas pelo Paquistão ou a partir de informações próprias, hipótese avançada por fontes norte-americanas.

A fonte também contestou o conselheiro para a Luta Anti-terrorista da Casa Branca, John Brenna, que afirmou que era "inconcebível" que Bin Laden não tivesse um "sistema de apoio" no Paquistão, numa alusão velada ao aparelho de segurança paquistanês.

"Isso é totalmente falso. Infelizmente não conhecíamos o seu paradeiro. Se soubéssemos, tínhamo-lo capturado antes", assegurou o responsável do ISI, numa alusão à operação das forças dos Estados Unidos da qual resultou a morte de Usama Bin Laden na cidade de Abbottabad, perto de Islamabad.