Osama Bin Laden deixa testamento em que pede desculpa aos filhos

O líder da Al-Qaida Osama Bin Laden, que morreu no domingo, deixou escrito num testamento feito em 2001 que não queria que os filhos trabalhassem na rede terrorista, noticiou hoje o jornal do Kuwait Al Anbaa.

No testamento de quatro páginas, escrito pouco depois dos atentados de 11 de Setembro, e cuja veracidade não foi confirmada, Bin Laden pede perdão aos filhos por lhes ter dedicado "pouco tempo" a partir do momento que respondeu "à chamada da 'jihad' (guerra santa)".

"Carreguei o peso dos muçulmanos e dos assuntos destes. Escolhi um caminho cheio de perigos", afirma Bin Laden numa parte do testamento dirigido aos filhos.

Noutra parte, na qual fala às mulheres, o líder da Al-Qaida reconhece que foram "um grande apoio" no caminho que escolheu e pede-lhes para não pensarem em casar depois de morrer para poderem dedicar o tempo a tomar conta dos filhos.

No final do testamento, com data de 14 de Dezembro de 2001, três meses depois dos atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos, Bin Laden também envia uma mensagem aos mujaidines (guerreiros santos).

"Esqueçam-se de momento de combater contra os judeus e os cruzados e dediquem-se a purificar as vossas filas dos agentes, os vergonhosos e os ulemas do mal que não participam na 'jihad' (...), afirma.

O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou no domingo à noite em Washington que Osama bin Laden foi morto no Paquistão por forças especiais norte-americanas.

Segundo responsáveis norte-americanos, o líder da Al-Qaida foi morto durante um ataque a um complexo nos arredores de Islamabad, onde a sua presença foi confirmada no final de Abril.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Bernardo Pires de Lima

Os europeus ao espelho

O novo equilíbrio no Congresso despertou em Trump reações acossadas, com a imprensa e a investigação ao conluio com o Kremlin como alvos prioritários. Na Europa, houve quem validasse a mesma prática. Do lado democrata, o oxigénio eleitoral obriga agora o partido a encontrar soluções à altura do desafio em 2020, evitando a demagogia da sua ala esquerda. Mais uma vez, na Europa, há quem esteja a seguir a receita com atenção.

Premium

Rogério Casanova

O fantasma na linha de produção

Tal como o desejo erótico, o medo é uma daquelas emoções universais que se fragmenta em inúmeras idiossincrasias no ponto de chegada. Além de ser contextual, depende também muito da maneira como um elemento exterior interage com o nosso repositório pessoal de fobias e atavismos. Isto, pelo menos, em teoria. Na prática (a prática, para este efeito, é definida pelo somatório de explorações ficcionais do "medo" no pequeno e no grande ecrã), a coisa mais assustadora do mundo é aparentemente uma figura feminina magra, de cabelos compridos e desgrenhados, a cambalear aos solavancos na direcção da câmara. Pode parecer redutor, mas as provas acumuladas não enganam: desde que foi popularizada pelo filme Ring em 1998, esta aparição específica marca o ponto em filmes e séries ocidentais com tamanha regularidade que já se tornou uma presença familiar, tão reconfortante como um peluche de infância. É possível que seja a exportação japonesa mais bem-sucedida desde o Toyota Corolla e o circuito integrado.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Adeus, futuro. O fim da intimidade

Pelo facto de dormir no quarto da minha irmã (quase cinco anos mais velha do que eu), tiveram de explicar-me muito cedo por que diabo não a levavam ao hospital (nem sequer ao médico) quando ela gania de tempos a tempos com dores de barriga. Efectivamente, devia ser muito miúda quando a minha mãe me ensinou, entre outras coisas, aquela palavra comprida e feia - "menstruação" - que separava uma simples miúda de uma "mulherzinha" (e nada podia ser mais assustador). Mas tão depressa ma fez ouvir com todas as sílabas como me ordenou que a calasse, porque dizia respeito a um assunto íntimo que não era suposto entrar em conversas, muito menos se fossem com rapazes. (E até me lembro de ter levado uma sapatada na semana seguinte por estar a dizer ao meu irmão para que servia uma embalagem de Modess que ele vira no armário da casa de banho.)