Subida do IMI vai aumentar entrega de casas ao banco

O presidente da Associação Lisbonense de Proprietários considerou hoje que vai aumentar "imenso" o número de pessoas que vão entregar a casa ao banco com a subida do IMI, acordado entre Governo e a 'troika'.

"Se vêem o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) aumentar, se vêem eliminada a isenção, se estão a ser deduzidas as despesas com a compra de casa, isto associado a um aumento da taxa de juro, o resultado será que muitas famílias terão de devolver as casas aos bancos", disse à Lusa Luís Menezes Leitão. De acordo com o memorando assinado entre a 'troika' e o Governo, a que a Lusa teve acesso, os proprietários de habitações vão pagar mais IMI a partir de julho, agravamento compensado por uma baixa do IMT na compra da casa. Em declarações à Lusa, Luís Menezes Leitão disse que o objectivo "é de arranjar receita a todo o custo e não promover o mercado de arrendamento".

Para o presidente da Associação Lisbonense de Proprietários, essas medidas vão "afectar os titulares de casa própria" e, "essencialmente, os proprietários de pequenas habitações". "Não achamos que seja uma boa medida para promover o arrendamento tornar insustentável que as pessoas que já compraram casa as possam pagar", alertou. "Achamos que vão ser os mais afectados com esta medida. Estamos muito preocupados com eles. Poderá dar-se o caso de ir aumentar em imenso a escala de pessoas que têm de devolver as casas ao banco", acrescentou.

Luís Menezes Leitão criticou o facto de as rendas antigas não terem sido contempladas no memorando, afirmando que "se se vier a verificar uma actualização das medidas sem se tomar em consideração as rendas, o resultado é que os senhorios poderão ficar a pagar mais IMI do que a renda que recebem". "Arriscamos-nos a ficar numa situação gravíssima e que estará muito longe de atingir o objectivo desejado e que será o de estimular o mercado de arrendamento", disse.

Quanto à diminuição do IMT, afirmou que "não tem grande significado". "Seria para facilitar a mobilidade de casa, que larguem uma maior e passem para uma mais pequena, pagando menos IMT. Mesmo com esta hipótese não acho que possa compensar a situação gravíssima que é o aumento do IMI", disse.

"O sector imobiliário entrará numa crise profunda sendo aplicadas estas medidas", concluiu. O primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou na terça-feira à noite, numa comunicação ao país, que o Governo conseguiu um "bom acordo" com a 'troika' internacional com vista à ajuda financeira a Portugal. O empréstimo será de 78 mil milhões de euros durante três anos e inclui a recapitalização da banca, caso seja necessária. A 'troika' é constituída pelo Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional (FMI).

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