PSD quer a "privatização parcial do SNS"

O advogado e antigo ministro socialista António Arnaut disse hoje que está convencido que o PSD, se for governo, adotará "uma política de liberalização do setor da Saúde" e de "privatização parcial do SNS" (Serviço Nacional de Saúde).

Embora não esteja "em condições de fazer uma avaliação exacta" do programa eleitoral dos socais democratas para a área da Saúde, por aquilo que já leu e ouviu e pelo que conhece do partido e do seu atual líder, Pedro Passos Coelho, o fundador do SNS julga que o PSD "tentará liberalizar o sector".

O PSD "vai tentar retomar a política de liberalização iniciada em 1990, por Arlindo de Carvalho, reiniciada, no governo de Durão Barroso, por Luís Filipe Pereira" e, "de algum modo, retomada por Correia de Campos" (ex-ministro de governos de Guterres e de Sócrates), disse à agência Lusa António Arnaut.

O ministro Luís Filipe Pereira "chegou a introduzir nos hospitais públicos a gestão do tipo das sociedades anónimas", mantendo-os, no entanto, com capitais públicos, recordou o antigo dirigente do PS, sublinhando que Correia de Campos, embora "de forma mitigada", também seguiu, "de algum modo, essa política".

A "tentativa de liberalização do sector da Saúde ou de privatização parcial do SNS, iniciada nos anos de 1990", foi no entanto "interrompida pelas oposições, pelos profissionais de Saúde e pelos utentes", salientou António Arnaut, prevendo que, agora, "toda esta gente" voltará a reagir, caso o PSD queira "impor uma lógica empresarial e neo-liberal" na área da Saúde.

"Há, de facto, uma corrente no PSD, porventura maioritária, que quer a liberalização da Saúde e a privatização parcial do SNS, deixando apenas um reduto para os mais pobres", mas também há, dentro do partido, quem apoie o SNS e se levante, se for caso disso, em sua defesa, acredita António Arnaut.

De resto, advertiu, "nada pode ser feito que descaracterize ou subverta o SNS", uma vez que "esta grande conquista da democracia portuguesa e de todos os portugueses" está consagrada na Constituição da República.

As eleições legislativas antecipadas realizam-se a 5 de Junho.

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