Justiça resolvida pelos portugueses e não pela "troika"

O sociólogo defende que os problemas da Justiça devem ser resolvidos pelos portugueses e manifestou preocupação pela incapacidade da "troika" internacional que planeia a ajuda financeira de perceber as especificidades do sistema.

O director do Observatório Permanente da Justiça (OPJ), que de manhã teve uma reunião com a "troika", sustentou que se trata de uma "missão quase impossível" explicar-lhes o sistema da Justiça em Portugal. "São pessoas muito pouco familiarizadas com o nosso sistema. É muito difícil explicar-lhe os detalhes técnicos da Justiça portuguesa, daí que essa é uma missão quase impossível, porque eles não entendem, vêm de outras culturas jurídicas", observou o sociólogo, em declarações à agência Lusa.

Boaventura de Sousa Santos confessou que a presença nessa reunião foi "por lealdade ao país", porque entende que "os problemas da Justiça não devem ser resolvidos pela 'troika', devem ser resolvidos pelos Governos, magistrados e por todos os responsáveis do sector".

Na reunião de duas horas e meia que hoje o OPJ teve com os representantes de instituições estrangeiras houve uma troca de impressões sobre o estado da Justiça, na qual apresentou resultados dos seus relatórios ao sistema, da morosidade, a gestão dos tribunais, do acesso à Justiça, bem como de propostas que tem apresentado.

"Obviamente que à 'troika' não lhes interessa tanto as questões do impacto da Justiça na democracia, mas do impacto da Justiça na economia", frisou, acrescentando que na reunião houve uma "troca de impressões muito técnica, muito detalhada, sobre pormenores da Justiça e também de alguns números da Justiça".

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