"Vítor Gaspar não passa cartão ao CDS"

Durante a sua participação habitual no telejornal de TVI, o professor afirmou que o CDS tem um "problema antigo com o ministro das Finanças. "Gaspar não é a última coca-cola do deserto mas tem credibilidade e é importante para o Governo".

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou hoje, na TVI, que em relação às previsões que vieram a público após a apresentação do Orçamento do Estado, "houve teses para todos os gostos", considerando que "isso é um problema nacional de "achos", onde todos acham isto ou aquilo". Mas quanto a previsões concretas, considera que "as mais acertadas são as de Vitor Bento e a da Católica de 2%", considerando que as previsões do Governo quanto à redução do défice "são muito optimistas".

Quanto ao ministro das Finanças, Vítor Gaspar, o professor considera que sai (após a apresentação do OE) "mais forte no plano externo e mais fraco no plano interno". Para Marcelo Rebelo de Sousa, em relação a Vítor Gaspar "há uma tese providencialista que diz que tudo o que ele faz é perfeito, que não erra, com a qual não estou de acordo. Vítor Gaspar não é a última coca-cola do deserto, há mais pessoas com qualidade". No entanto, o professor também não partilha de uma segunda tese "que diz que Gaspar tem de sair do Governo porque é incompetente".

"Considero que o ministro das Finanças tem credibilidade nos mercados e a nível externo e que o défice externo melhorou, por isso, não sendo um génio infalível, neste momento é importante para o Governo".

Em relação à crise na coligação governativa, o professor considera que "o CDS tem um problema antigo com Vítor Gaspar". Segundo o professor, "Gaspar não passa cartão ao CDS e este acha-se minorizado pelo ministro das Finanças".

Quanto à posição do CDS, Marcelo considera que os centristas "começaram a entrar em microrupturas ao longo do tempo" e, para omprofessor, "Paulo Portas não foi inteligente ao gerir a crise, foi emotivo, uma vez que o CDS não ganha muito com o facto de se querer desmarcar de um governo do qual faz parte e devia ter a noção de que uma crise seria má para o país". Para Marcelo Rebelo de Sousa, o CDS demorou tempo demais a tomar uma posição e deixou o espaço aberto a especulações.

Quanto às condições que o Governo terá para chegar ao fim da legislatura, o professor espera que este governo chegue ao fim e a cumpra, sendo que "os próximos seis meses serão decisivos para se perceber a sua solidez". Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, "nestes seis meses há espaço para o Governo explorar politicamente as negociações com Bruxelas, utilizando, nomeadamente, as declarações do FMI, que confessaram que falharam as suas previsões iniciais".

Quanto às greves do jornal Público e da Lusa, o professor considera que a comunicação social está perante "uma crise devastadora".

"Não sei se duzentos e tal trabalhadores são demais, não tenho elementos para o dizer, mas o que não pode deixar de haver é uma agência notíciosa pública em Portugal", acrescentando que !a agência Lusa tem muita influência nos países lusófonos e é uma questão nacional".

Quanto às eleições presidenciais norte-americanas, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que Barack Obama saiu reforçado do segundo debate presidencial nos EUA. Mas para o professor, Obama venceu "tangencialmente". "Obama foi subindo, atacou muito bem Mitt Romney e acabou por ganhar o debate. Agora, ainda falta um último debate e dizem que quem vai decidir tudo são os hispanicos. Vamos ver".

Em relação ao referendo na Escócia sobre a autodeterminação, marcelo Rebelo de Sousa considera que isso "é um direito de cada nação", contudo, considera que "o renascer dos nacionalismos pode levar a uma balcanização da Europa".

O professor considera que o prémio Nobel da Paz atribuído à União Europeia foi merecido, pelos 60 anos de paz que o continente soube manter, mas devia ter sido atribuido "há dez anos atrás".

O Brasil encerrou o caso do "Mensalão" e o professor considera que se falou pouco do caso em Portugal, o que considera "estranho". Para Marcelo Rebelo de Sousa, embora seja difícil de explicar as condenações, "acabaram por haver três pessoas condenadas e foi punido um braço direito do presidente Lula da Silva, o que, em muitas democracias europeias isso é difícil de acontecer".

Em relação à privatização da TAP o professor considera que o processo tem de ser "ultratransparente". "O Governo diz que sim, que foi tudo transparente e que houve uma comissão de acompanhamento de todo o processo e a oposição diz o contrário". Marcelo Rebelo de Sousa considera que "estes processos têm de ser ultratransparentes e que "o PS devia ter sido chamado às negociações".

Em relação à cimeira Europeia Marcelo considera que Angela Merkel, no começo da Cimeira, "disse que a Comissão Europeia devia ter o direito de veto nos orçamentos de todos os estados. Essa questão é muito polémica porque tem a ver com uma parte da perda das soberanias nacionais".

O professor diz que não está contra a medida, mas "são os povos que devem decidir". "Isso numa federação não existe e para o fazer é preciso alterar vários tratados. Como disse, não sou contra se não se tratar de uma decisão anti democrática e à revelia dos estados".

Quanto aos resultados palpáveis da Cimeira Europeia, o professor considera que foram "um flop". Para o professor, "a Europa vai de flop em flop e está a perder o comboio da História". Marcelo Rebelo de Sousa afirma-se muito preocupado com o rumo europeu porque sente "cada vez mais uma divisão perigosa entre a Europa do Norte e a Europa do Sul".

Em relação à visita de Angela Merkel a Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa considera que não deveria ter vindo só a Chanceler alemã. "Deveria ter cá estado François Hollande, por exemplo, mas o senhor Monti é que deveria ter estado em portugal porque, ele sim, é realmente o senhor Europa".

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