PCP disponível para participar num governo de esquerda

O secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou hoje, em Mirandela, que os comunistas estão disponíveis para participar num governo de esquerda com novas políticas para Portugal.

"Nós estamos disponíveis para abraçar a causa de uma nova política patriótica e de esquerda e assumir todas as responsabilidades que o povo português nos queira atribuir incluindo a participação no Governo", declarou num comício, em Trás-os-Montes, no âmbito da iniciativa do PCP "Derrotar este Governo e esta Política".

Jerónimo de Sousa insistiu que a recente decisão do Tribunal Constitucional sobre o Orçamento do Estado para 2013 "é mais uma razão acrescida para demitir este Governo e para os trabalhadores e o povo intensificar a sua luta".

Em declarações aos jornalistas, especificou que o PCP não pretende chegar ao Governo sozinho, mas escusou-se a clarificar se está disponível para governar com o PS, afirmando que os comunistas não estão "a pensar em arranjos" e insistindo "na ideia de uma política alternativa".

"Se é para fazer o mesmo com pequenos retoques, isto não resulta porque isto seria dramático para a própria democracia e para a credibilidade da própria democracia e dos partidos políticos", vincou.

Relativamente ao PS, Jerónimo de Sousa afirmou que a experiência recente "não foi nada animadora" aludindo à recusa do partida de rutura com o memorando da 'troika'.

"Não foi um bom sinal, mas nós persistimos nesta ideia: basta de alternância, é preciso de facto uma política alternativa para resolver os problemas para bem do povo e para que o povo não desacredite na democracia",acrescentou.

O secretário geral do PCP lembrou no discurso aos militantes, no auditório do Instituto Jean Piaget de Mirandela, a demissão do ministro Miguel Relvas que "parecia blindado, intocável" e que apontou como "a primeira pedra na fragilização deste Governo".

"E que pena que foi que com demissão de Relvas não fosse Passos Coelho e o resto do Governo dando a palavra ao povo para novas eleições" reiterou.

Jerónimo de Sousa insistiu que "o novo rumo e nova política que Portugal precisa tem de romper com a crescente submissão e subordinação externas e recolocar no centro da orientação política a afirmação do desenvolvimento económico e soberano".

O secretário geral do PCP disse ainda que não conta "com grande coisa" por parte do presidente da República" depois da declaração de Cavaco Silva no sentido de que o Governo tem condições para governar.

"O que é marcante foi aquela declaração de apoio ao Governo, lançar uma boia de salvação ao Governo", considerou.

Jerónimo de Sousa considerou ainda que a convocação do Conselho de Estado resultaria "pouco".

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