PCP recusa "migalhas" e diz que abertura à modelação é "fait-divers"

O PCP classificou hoje como um "fait-divers" a abertura do Governo para fazer "alguma modelação" na aplicação das medidas de austeridade com "impacto social mais pesado", recusando aceitar "migalhas".

"Trata-se de um fait-divers, porque não há remendos que emendem o mal maior deste Orçamento do Estado e de um programa de agressão que está a arrastar e vai arrastar o país para uma profunda recessão económica", afirmou Fernanda Mateus, da comissão política do PCP, durante uma conferência de imprensa na sede do partido.

Questionada se vê como uma "conquista" a possibilidade de só ser cortado um dos subsídios (de férias ou de Natal) aos trabalhadores da administração pública e aos pensionistas, Fernanda Mateus recusou aceitar que sejam dadas "migalhas" aos trabalhadores.

"Estamos num quadro em que não podemos ir de fatalidade em fatalidade e não podemos aceitar que dentro dessa fatalidade nos queiram dar migalhas, não há nenhuma razão para haver cortes nos salários dos trabalhadores, não há nenhuma razão para haver cortes nos subsídios de férias e de Natal", defendeu.

Considerando que as declarações do primeiro-ministro esta manhã não representam "abertura nenhuma", porque o país está perante "um pacto de agressão que vai ser cumprido", Fernanda Mateus frisou que "aquilo que os portugueses têm que sentir neste momento é que não podem ir em fait-divers, não podem aceitar que lhe atirem areia para os olhos".

"Não é justo dar migalhas e impor que os sacrifícios sejam feitos por aqueles que não são responsáveis nem pela crise, nem pela dívida pública, nem pelo estado a que o país chegou", insistiu.

Por isso, acrescentou, o PCP entende que o único caminho é a "eliminação de tudo o que são cortes" para os trabalhadores da administração pública e dos pensionistas.

Instada a comentar as declarações do Presidente da República sobre a importância da coesão social, Fernanda Mateus disse apenas que a proposta de Orçamento do Estado para 2012 apresentada pelo Governo e o "programa de agressão" que foi assinado com a 'troika' "é exactamente o contrário desse objectivo".

"Não estamos no caminho de maior coesão social, estamos no caminho de uma grave crise social, com o agravamento brutal das desigualdades sociais. O caminho da coesão social tem de ser derrotar este pacto de agressão", referiu.

Exclusivos

Premium

Ferreira Fernandes

A angústia de um espanhol no momento do referendo

Fernando Rosales, vou começar a inventá-lo, nasceu em Saucelle, numa margem do rio Douro. Se fosse na outra, seria português. Assim, é espanhol. Prossigo a invenção, verdadeira: era garoto, os seus pais levaram-no de férias a Barcelona. Foram ver um parque. Logo ficou com um daqueles nomes que se transformam no trenó Rosebud das nossas vidas: Parque Güell. Na verdade, saberia só mais tarde, era Barcelona, toda ela.

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

Dos pobres também reza a história

Já era tempo de a humanidade começar a atuar sem ideias preconcebidas sobre como erradicar a pobreza. A atribuição do Prémio Nobel da Economia esta semana a Esther Duflo, ao seu marido Abhijit Vinaayak Banerjee e a Michael Kremer, pela sua abordagem para reduzir a pobreza global, parece indicar que estamos finalmente nesse caminho. Logo à partida, esta escolha reforça a noção de que a pobreza é mesmo um problema global e que deve ser assumido como tal. Em seguida, ilustra a validade do experimentalismo na abordagem que se quer cada vez mais científica às questões económico-sociais. Por último, pela análise que os laureados têm feito de questões específicas e precisas, temos a demonstração da importância das políticas económico-financeiras orientadas para as pessoas.

Premium

Marisa Matias

A invasão ainda não acabou

Há uma semana fomos confrontados com a invasão de territórios curdos no norte da Síria por parte de forças militares turcas. Os Estados Unidos retiraram as suas tropas, na sequência da inenarrável declaração de Trump sobre a falta de apoio dos curdos na Normandia, e as populações de Rojava viram-se, uma vez mais, sob ataque. As tentativas sucessivas de genocídio e de eliminação cultural do povo curdo por parte da Turquia não é, infelizmente, uma novidade, mas não é por repetir-se que se deve naturalizar e abandonar as nossas preocupações.