Passos: "Não haverá solução duradoura se não regressarmos à disciplina financeira"

O primeiro-ministro considerou hoje que a disciplina financeira é essencial para a estabilização da Europa e afirmou que o Governo tem de estar preparado para todas as eventualidades, mas recusou colocar o cenário do fim do Euro.

"Não haverá solução duradoura para a Europa se não regressarmos à disciplina financeira, se não reduzirmos a nossa dívida e se, por essa razão, portanto, não criarmos condições de confiança nos mercados", declarou Pedro Passos Coelho, em entrevista à SIC.

Segundo Passos Coelho, esta não é a tese "só da senhora [Angela] Merkel", é uma posição quanto à qual "não há uma segunda opinião nem nenhuma divergência na Europa".

Questionado se já mandou estudar um cenário de desmembramento do Euro, o primeiro-ministro respondeu: "Nós temos de estar preparados para todas as eventualidades. Agora quero dizer que a grande aposta política que o Governo faz e tenho a certeza que o país e o PS também fará é de defesa do Euro e não de pensar num cenário de implosão do Euro".

Passos Coelho acrescentou que o fim do Euro seria a "uma catástrofe económica na Europa", conduziria "a uma recessão à escala global e acabaria com a União Europeia", concluindo: "Esse é um cenário que eu acho que nós não podemos admitir e um primeiro-ministro não pode admitir, mesmo numa entrevista como esta".

O primeiro-ministro descreveu a actual situação da União Europeia como "um problema de confiança que foi suscitado por haver indisciplina financeira e por haver evidentemente excesso de dívida".

"Só haverá estabilidade duradoura se houver Governo económico, se houver união política e se existir disciplina financeira", reforçou.

Passos Coelho admitiu que "o Banco Central Europeu (BCE) terá de ter uma intervenção muito mais decidida do que aquela que tem tido até aqui", mas observou que "quanto mais os políticos falam de como o BCE deve intervir face à sua independência, mais dificuldade o BCE terá em fazer esse papel".

E insistiu que o BCE nada poderá resolver se "os países não mostrarem confiança em como vão honrar os seus compromissos".

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