Passos Coelho: "Há riscos na execução do Orçamento"

O primeiro-ministro considerou hoje que há um risco de o "declínio económico" em 2012 ser maior do que o previsto pelo Governo e admitiu que nesse cenário sejam adoptadas novas medidas de austeridade.

"Claro que há riscos no Orçamento, mas é cumprível. É por isso que em Dezembro vamos criar dispositivos que garantam a melhor execução do Orçamento", afirmou Passos à SIC, admitindo tratar-se do "orçamento mais difícil de executar da história da democracia portuguesa".

"O maior risco que nós enfrentamos nesta altura é o de declínio económico", afirmou Pedro Passos Coelho, acrescentando que se a recessão económica no próximo ano for superior aos três por cento previstos pelo Governo a meta do défice ficará posta em causa.

"Perante uma circunstância dessas, claro que nós teríamos de adoptar novas medidas. Não quero nesta altura dizer que medidas poderão ser. Julgo que não é a altura adequada para estar a falar disso", declarou o primeiro-ministro, que tinha sido questionado se podia garantir aos portugueses que em 2012 não vai apresentar, por exemplo, um imposto extraordinário sobre os subsídios de férias e de Natal dos trabalhadores do setor privado.

O líder do Governo referiu também que o objectivo a longo prazo do seu programa passa por reduzir "em duas legislaturas a despesa pública para 40 a 42% da riqueza gerada no país". E questionado sobre a abstenção do PS na votação do Orçamento, elogiou a postura de António José Seguro, notando, contudo, alguma "apreensão quando o maior partido da oposição tem menos firmeza na posição que adopta" - em alusão às polémicas internas entre os socialistas na votação no OE.

Sobre as divergências com Cavaco Silva, referiu que o Presidente da República tem todos os "poderes constitucionais" para um eventual veto ao OE: "O Presidente da República não foi eleito para representar o PSD e o Governo não foi eleito para representar o Presidente da República".

O primeiro-ministro desvalorizou ainda algumas críticas internas que têm surgido no PSD. "Não vivo com fantasmas, nem tenho medo de fantasmas internos", disse.

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