Passos Coelho cita frase de Cavaco para justificar OE

O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho citou hoje uma antiga frase do actual Presidente da República, Cavaco Silva, para garantir que a prioridade do Governo é "atacar o monstro" da despesa pública.

Passos Coelho falava no final da cerimónia de lançamento das obras do centro de dados da Portugal Telecom, na Covilhã, em que disse não querer qualquer perdão de dívida pública para Portugal.

O primeiro-ministro ressuscitou hoje a expressão do "monstro da despesa pública" para justificar o "orçamento de verdade" para 2012.

O termo já tem 11 anos: Cavaco Silva classificou a despesa pública durante a governação do socialista António Guterres, em Fevereiro de 2000, como "um monstro", num artigo que publicou no Diário de Notícias.

Hoje, Passos Coelho garantiu que Portugal "vai mostrar que é capaz de atacar o monstro, diminuir o peso desse monstro e atacar a despesa do Estado, porque é essa que pesa sobre os contribuintes, empresas e sobre a nossa economia".

"Vamos conseguir atacar esse monstro, todos juntos, durante o próximo ano", sublinhou.

Questionado pelos jornalistas sobre se havia alguma resposta ao Presidente da República implícita no uso da expressão, Passos Coelho garantiu que não, "pelo contrário, é uma referência certeira e correta" para o "problema grave do monstro que estávamos a criar com a despesa pública".

Um problema que fez com que, nos últimos 11 anos, Portugal tivesse "taxas de crescimento extremamente baixas" e "um nível de desemprego muito grande, comprometendo as expectativas legítimas de muitos portugueses", destacou.

Passos Coelho garantiu determinação no ataque ao monstro: "Estamos prontos", sublinhou e apontou novamente para o orçamento que prevê "reduzir o défice de todo o ano de 2012 a metade do défice de 2011".

O primeiro-ministro sublinhou ainda na Covilhã que Portugal não deve aceitar qualquer perdão de dívida, mesmo que isso aconteça com outros países.

Para Passos Coelho, "quando se fala em perdão de dívida para alguém, isso significa que os credores perderam a esperança de receber o que emprestaram. E enquanto tiverem memória não emprestam nem mais um euro".

O primeiro-ministro acredita que a situação colocaria Portugal fora dos mercados financeiros "durante muitos anos" e a viver "níveis de austeridade absolutamente incomparáveis e brutais" em relação aos actuais.

"Não queremos isso em Portugal", concluiu.

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