Passos admite estar a desviar-se de promessas eleitorais

O primeiro-ministro fez a confissão hoje no Parlamento, mas responsabilizou por isso o anterior Governo.

No primeiro debate parlamentar após o anúncio de mais um pacote de austeridade, Passos Coelho afirmou: "As medidas anunciadas são minhas mas o défice que as obriga não é meu." Admitindo, mais adiante: "Estas medidas não respeitam as promessas eleitorais do PSD."

Segundo disse, "nos primeiros seis meses consumimos 70% o que tinhamos para o ano em défice". "Em 10 mil milhões foram consumidos sete mil milhões", afirmou, explicando que estas "contas não do Governo mas sim do INE". Segundo Passos Coelho, as contas da Madeira representam "um pouco mais de 10% do desvio apurado pelo INE". O primeiro-ministro disse que as medidas anunciadas ontem foram-no porque o Governo precisou de arrecadar mais dois mil milhões para lá do que previa. E depois deixou um desafio ao PS: que proponha outros caminhos para obter a mesma receita.

Foi o líder do PS quem abriu o debate. Ao ataque, António José Seguro acusou: "As medidas que o senhor anunciou não são as constantes do memorando." Mais adiante acrescentou: "Assim não vamos lá." Seguro salientou também que as contas do défice que o PS faz não são as mesmas do Governo. "Violentas", "injustas" e "um golpe fortissimo na já debilitada classe média", sendo que, entretanto, "sobre o crescimento, zero."

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