"De um ponto de vista social, tenderia a votar contra"

O fundador do PS António Arnaut disse sexta-feira à noite, em Coimbra, que admitiria a abstenção se fossem "limadas as principais agressões contra a justiça e a Constituição".

"Eu nunca podia votar a favor de um Orçamento que penaliza drasticamente as classes mais desfavorecidas e que tem medidas iníquas e injustas, verdadeiramente discricionárias", sublinhou o advogado e histórico socialista.

Falando à Agência Lusa à margem da conferência "Estado de Direito e SNS", que proferiu no Centro Cirúrgico de Coimbra, o antigo ministro dos Assuntos Sociais disse que, "em princípio, também não votaria contra por causa do compromisso a que o PS está vinculado com o memorando da 'troika'".

No entanto, acrescentou, "se as medidas tão injustas que estão propostas forem levadas avante, nomeadamente a subtracção de um direito legítimo que é os trabalhadores por conta do Estado receberem o seu subsídio de férias e Natal, (...) admitiria a hipótese de votar contra".

António Arnaut considera que o "buraco" financeiro descoberto pelo Governo "podia ser preenchido com outro tipo de medidas, que fossem suportadas por todos, sobretudo aqueles que mais podiam pagar.

O histórico dirigente socialista lamentou que o capital, os dividendos e as grandes fortunas não sejam tributados.

"De um ponto de vista social, independentemente da ideologia, preponderia para votar contra, mas posso admitir a abstenção se forem limadas as principais agressões contra a justiça e a Constituição", frisou António Arnaut.

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