Instituição de solidariedade receia falta de capacidade de resposta para aumento de pedidos de ajuda

O coordenador do Cento de Acolhimento João Paulo II, em Coimbra, Armando Garcia, manifestou-se hoje "preocupado" com as novas medidas de austeridade anunciadas pelo primeiro-ministro e receia não conseguir dar resposta ao "previsível aumento de pedidos de ajuda".

O Centro de Acolhimento João Paulo II é um serviço de ação social de vocação Vicentina integrado na Paróquia de S. José (Coimbra), que atualmente apoia cerca de duas mil famílias, um terço das quais imigrantes.

"Não sei como vai ser, mas temos de nos preparar para o pior. A sensação que fica (depois do anúncio das medidas) é de sufoco, de espanto e grande preocupação. Receio que isto não fique por aqui", disse à Lusa Armando Garcia.

Segundo este responsável, "A pobreza e exclusão social vão aumentar. São sempre os mais penalizados que continuam a sê-lo".

Armando Garcia entende que "não faz sentido uma sopa pagar 23 por cento de IVA e uma garrafa de vinho 13 por cento" e critica que, "para se proteger uma área (vitivinícola), se prejudique [a aquisição de] os bens essenciais".

O responsável do Centro de Acolhimento João Paulo II é perentório: "implementam-se (as medidas) porque não se está no terreno a olhar para a fome e as dificuldades que as pessoas estão a ter. Não é só tirar os subsídios de Natal e de férias, é muito mais do que isso".

Sem qualquer apoio estatal, o Centro de Acolhimento João Paulo II sobrevive do trabalho do movimento das conferências vicentinas e da solidariedade de empresas e particulares.

"Quem dava dez (euros) hoje dá cinco, as receitas escasseiam e é preciso um grande poder imaginativo para se angariarem novas receitas", disse.

O Centro apoia os mais carenciados com produtos alimentares, no pagamento das rendas e prestações de habitação, contas de água, eletricidade, propinas, medicação, autorização de residência (a imigrantes) e material escolar.

O primeiro-ministro anunciou na quinta-feira que as medidas do OE2012 visam garantir o cumprimento dos acordos internacionais e que passam, entre outras, pela eliminação do subsídio de férias e de natal para os funcionários públicos com vencimentos ou pensões acima de mil euros por mês, enquanto durar o programa de ajustamento financeiro, até ao final de 2013.

Os vencimentos situados entre o salário mínimo e os mil euros ficarão sujeitos a uma taxa de redução progressiva, que corresponderá em média a um só destes subsídios.

As pensões acima do salário mínimo e abaixo de mil euros sofrerão, em média, a eliminação de um dos subsídios.

O chefe do Governo afirmou que há um desvio orçamental de 3 mil milhões de euros e anunciou também que o executivo vai reduzir o número de feriados e permitir que as empresas privadas aumentem o horário de trabalho em meia hora por dia, sem remuneração adicional.

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