Francisco Assis diz que "sempre" defendeu abstenção

O deputado e candidato derrotado à liderança do PS Francisco Assis afirmou este sábado que "sempre" defendeu a abstenção do partido na votação do Orçamento do Estado (OE) atendendo às "circunstâncias excepcionais" que se verificam no país.

"Não apenas concordo, como sempre defendi que essa devia ser a posição do PS", disse à agência Lusa, à margem de um plenário com militantes, no Peso da Régua.

Francisco Assis justificou esta tomada de posição com o "quadro de emergência nacional" que se vive em Portugal.

"Exige-se a todos os partidos políticos que tenham um excepcional sentido da responsabilidade e do meu ponto de vista isso obrigava e obriga o PS a ter uma atitude clara, que é a abstenção, no momento da votação", sublinhou.

No seu entender, o partido tem agora que apresentar "linhas alternativas" e "contributos" com vista a "uma modificação e melhoria da proposta de OE", sem deixar de fazer também "uma crítica contundente a algumas opões contidas neste orçamento".

No entanto, "o quadro actual que atravessamos no país e na Europa obriga a que tenhamos que ter uma opção altamente responsável e que nos credibiliza, como é esta da abstenção", frisou.

Francisco Assis afirmou ainda que ficou satisfeito pela abertura demonstrada pelo Governo em reavaliar as propostas OE.

"A vida política faz-se da afirmação de divergências mas também da procura de algumas convergências e num momento como aquele que estamos a atravessar parece-me da maior importância que os principais partidos políticos façam um esforço sério para garantir algumas convergências fundamentais", sustentou.

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, admitiu hoje que "todas as propostas [para o OE] são possíveis de ser avaliadas", incluindo a manutenção de um dos subsídios dos funcionários públicos, como pretende o secretário-geral do PS.

"Todas as propostas são possíveis de ser avaliadas. Têm que ser avaliadas, têm que ser vistas na dimensão que elas produzem nas consequências dos objectivos que têm que ser atingidos, mas a atitude que o Partido Socialista teve foi uma atitude muito construtiva e muito positiva", afirmou Miguel Relvas.

Em reacção, o deputado socialista disse que "como estado de espírito é bom" e que é "assim que uma democracia adulta deve funcionar".

Já o também deputado e presidente da Federação Distrital do PS de Vila Real, Rui Santos, afirmou que a abstenção na votação do OE é uma "má estratégia" por parte do partido.

"O PS devia votar contra, devia apresentar as suas propostas e depois se elas fossem acatadas poderia evoluir no seu sentido de voto, abster-se ou até votar a favor", sustentou. Apesar da divergência de opiniões, o deputado de Vila Real referiu que vai acatar a decisão do partido.

O plenário no Peso da Régua teve como objectivo debater a situação política actual do país, especificamente o OE, que vai ser discutido na quinta e sexta-feira na Assembleia da República.

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