Ferro defende voto contra do PS se não houver alterações

O ex-líder socialista Ferro Rodrigues advertiu hoje que o PS poderá votar contra o Orçamento caso o Governo recuse propostas de alteração e defendeu a demissão do executivo caso tente tornar definitivas as medidas de austeridade temporárias.

As posições de Ferro Rodrigues sobre a proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2012 e sobre a estratégia financeira e económica do país nos próximos anos foram assumidas em entrevista à Antena 1.

Interrogado sobre o sentido de voto dos socialistas face à proposta de Orçamento do Estado para 2012, Ferro Rodrigues mostrou-se de acordo com a posição tornada pública recentemente pelo presidente do Grupo Parlamentar do PS, Carlos Zorrinho.

Quinta-feira, "o presidente do Grupo Parlamentar do PS disse que é necessário que haja alterações e que o PS vai apresentar alterações. Julgo que [Carlos Zorrinho] está implicitamente a dizer que, se não houver alterações nenhumas, o PS tem de ter uma posição negativa em relação a este Orçamento, sem ter culpa nenhuma disso", sustentou o ex-líder socialista.

Na mesma entrevista à Antena 1, Ferro Rodrigues também defendeu que o Presidente da República, Cavaco Silva, deverá demitir o Governo caso este tente prolongar para além de 2013 os cortes remuneratórios no sector da administração pública.

"Estas medidas são apresentadas como provisórias, como medidas temporárias para dois anos. Se daqui a dois anos, no Orçamento do Estado para 2014, essas medidas não forem anuladas e não se regressar à situação anterior, o Governo não tem condições para continuar", advogou Ferro Rodrigues.

De acordo com o ex-líder do PS, o Presidente da República, Cavaco Silva, "até por aquilo que disse" recentemente sobre os cortes salariais a pensionistas e na administração pública, "tem a obrigação de demitir o Governo" caso se pretenda que esses mesmos cortes tenham um carácter definitivo.

"Isso significaria que, durante estes dois [próximos] anos, o Governo teria posto em prática uma política de tragédia do ponto de vista social e que também não tinha conseguido resolver os problemas dos pontos de vista económico e financeiro", apontou Ferro Rodrigues.

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