Catroga critica Cavaco por levantar questão dos subsídios

Eduardo Catroga criticou hoje o Presidente da República por levantar "nesta altura" a questão da falta de equidade fiscal na opção do Governo em cortar os subsídios à Função Pública mantendo intactos os do sector privado.

"Estes temas devem ser tratados nas reuniões bilaterais [entre o chefe de Estado e o chefe do Governo] e acho o momento prematuro", defendeu Eduardo Catroga à margem do 4º Congresso Nacional dos Economistas.

O economista admitiu que "a economia não é uma ciência certa e os economistas podem ter opiniões diversificadas" e sublinhou que "o problema da equidade [suscitado por Cavaco Silva no dia 19 de Outubro] tem que ser visto numa perspetiva mais vasta", afirmou, sem desenvolver o argumento.

O economista reconheceu que os cortes dos subsídios de Natal e de Férias em 2012 [e, pelo menos, 2013] aos funcionários públicos e reformados "são medidas duras, mas as responsabilidade das medidas são de quem conduziu o país a uma situação de bancarrota".

"O portugueses têm toda a razão para estar indignados e devem responsabilizar quem governou o país nos últimos seis anos por esta situação que obriga a medidas tão duras para os portugueses", acrescentou.

Sobre a hipótese vir a rever algumas das medidas em reação a este tipo de "pressões", Catroga sublinhou que "o Governo tem a sua linha de rumo e deve segui-la". Porém, acrescentou, "deve dialogar com o Partido Socialista no sentido de tentar um maior consenso possível na aprovação do Orçamento. Se o PS tiver alternativas com a probabilidade exatamente iguais, testadas - porque o país não pode correr riscos -, que conduzam ao mesmo objetivo, então sim [poderão ser revistas algumas medidas mais gravosas para os portugueses]", defendeu.

A 19 de Outubro, o Presidente da República considerou que a suspensão dos subsídios de férias e de Natal da administração pública e dos pensionistas é "a violação de um princípio básico de equidade fiscal".

"Mudou o Governo, mas eu não mudei de opinião. Já o disse anteriormente e posso dizê-lo outra vez: é a violação de um princípio básico de equidade fiscal", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas.

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