Abstenção do PS é a posição "mais responsável e inteligente"

O ex-líder do PSD Luís Marques Mendes afirmou hoje que a decisão de abstenção do PS na votação do Orçamento de Estado para 2012 foi a posição "mais coerente, responsável e inteligente" que os socialistas poderiam ter tomado nesta matéria.

Numa intervenção no âmbito da 2.ª Convenção Autárquica de S. João da Madeira, Marques Mendes afirmou: "O PS tomou ontem [sexta-feira] uma decisão de grande sentido de responsável. A abstenção foi a posição mais coerente, mais responsável e mais inteligente que António José Seguro podia tomar".

O ex-presidente do PSD referiu que a decisão é coerente porque "o PS negociou e assinou o acordo da 'troika' e este é o primeiro orçamento para executar esse acordo".

Quanto à abstenção representar também a postura "mais responsável", Marques Mendes explicou: "Por muitas discordâncias que o PS possa ter em relação ao orçamento - e tem-nas -, no quadro difícil internacional que se vive, sobretudo depois do que aconteceu com a Grécia nos últimos dias, precisamos de acentuar aquilo que nos une e não de valorizar aquilo que nos divide".

Segundo o social-democrata, "António José Seguro percebeu isso na perfeição e é por isso mesmo credor de uma palavra de grande elogio".

Marques Mendes entende que a opção de voto, "além de ser a decisão que melhor serve o interesse nacional", é também "a que vai ser mais útil para o líder do PS ganhar um estatuto de credibilidade, autoridade e sentido de Estado".

"Num momento difícil para o país e difícil também dento do seu partido, Seguro mostrou autoridade", continuou o ex-líder social-democrata, acrescentando que "o país gosta de ter no Governo e na oposição líderes com autoridade".

Para Marques Mendes, a prioridade nacional deve ser agora a de "recuperar a soberania", o que passa por "cumprir religiosamente o que foi acordado com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional".

O ex-líder do PSD identifica quatro grandes objectivos. O primeiro é a recuperação financeira do país e o segundo um crescimento económico que consiga contornar "o calcanhar de Aquiles que é não haver financiamento da banca, na medida em que, sem dinheiro dos bancos para financiar as empresas, Portugal não sai da recessão".

Como terceira prioridade, apontou a necessidade de "reduzir o monstro do Estado" - eliminando o "desperdício brutal que existe no poder central", por exemplo - e, por último, argumentou que "o Governo tem que ser mais rápido a concretizar as reformas anunciadas", situando "a Justiça à cabeça" dessas reformas estruturais.

"Cortar subsídios ou salários não muda absolutamente nada. Se houver mudanças estruturais, esses cortes são realmente temporários, mas se não se fizerem mudanças, como é que depois se repõem esses subsídios?", questionou.

No contexto específico do sistema judicial, o social-democrata disse que não pode existir "uma Justiça para ricos e outra para pobres" e recomendou produtividade a esse nível, tal como exigido a outros universos da sociedade portuguesa.

A proposta do secretário-geral do PS para que os socialistas se abstenham na votação do Orçamento do Estado foi aprovada na sexta-feira com mais de dois terços de votos favoráveis.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG