Há cada vez mais pessoas a recorrer a balneários públicos

Nos últimos anos têm aumentado os portugueses que recorrem a balneários públicos e espaços comerciais fazer a sua higiene diária

Nos últimos dois anos aumentou de forma "assustadora" o número de pessoas que deixaram de conseguir pagar as faturas da água, saneamento e eletricidade. A denúncia é de Jorge Morgado, secretário-geral da associação de defesa dos consumidores Deco, e confirmada por muitos municípios contactados pelo DN, que revelam ainda serem cada vez mais as pessoas a pedir a tarifa social, um instrumento de proteção dos consumidores economicamente vulneráveis através da aplicação de preços mais baixos

"Há muitas famílias que não têm água canalizada e vão aos balneários públicos e estabelecimentos comerciais fazer a sua higiene diária. É um problema novo que tende a aumentar... É terrível. Isto não é alarmismo, é a realidade. Isto não acontece só em bairros sociais, mas em qualquer condomínio. Há muitas famílias com filhos. Há casos de pais fiadores de filhos, idosos, todo o género de casos", comentou Jorge Morgado.

Esta situação verifica-se quer a norte quer a sul do País. "Temos conhecimento, quase todos os dias, de novos casos de famílias que, devido à crise que se vive em Portugal, têm uma gradual dificuldade em cumprir as suas obrigações, mesmo as mais básicas", afirmou ao DN o presidente da Câmara Municipal de Elvas, Nuno Mocinha. Para fazer frente a estas dificuldades, o "município tem em vigor 25 programas sociais ao dispor dos diferentes extratos (etários e sociais) desfavorecidos, para que, de uma forma amiga e solidária, possa ir ajudando quem mais precisa".

Em Oleiros (distrito de Castelo Branco), apesar de a fatura da água ser uma das mais baixas do País, o presidente da câmara municipal, Fernando Marques Jorge, reconhece que "nos últimos três anos, em comparação com anos anteriores, o número de munícipes com falta de pagamento da fatura da água tem vindo a aumentar". Em Oleiros a exploração deste serviço é municipalizada.

A Câmara Municipal de Ourém, onde o abastecimento de água é assegurado pela Veolia, também tem sentido as dificuldades da população. No ano passado, o corte do fornecimento de água atingiu 1946 habitações e 85% pediram o restabelecimento. Este ano (até outubro) há registo de 1137 casos e apenas 73% pediram nova ligação à rede.

Já a Deco chama a atenção para o que se passa no Porto: "É uma das cidades mais problemáticas a este nível. São muitos os casos em que não há água nos canos nem eletricidade e gás. Aliás, conhecemos situações de pessoas que tentaram fazer ligação à bilha, o que é muito perigoso." Um dos instrumentos dos municípios para minimizar os efeitos da crise é a tarifa social. Por exemplo, a EPAL aplica desde agosto esta tarifa que permite um desconto de 74% a famílias carenciadas, redução que pode abranger 18 mil pessoas.

As dificuldades financeiras, segundo denúncia do presidente da ERSAR, Jaime Melo Baptista, está a levar as famílias a usar para consumo a água de poços e furos no quintal, situação que pode acarretar riscos para a saúde pública. "Estamos a falar de captações individuais, feitas em aquíferos de pequena profundidade, com riscos elevados de contaminação", como explicou o responsável.

Mas apesar do aumento do uso das águas dos poços e furos, todas as empresas do ramo contactadas pelo DN garantem que o negócio não está próspero. "A procura não aumentou. Não há dinheiro para os fazer e há também grande dificuldade em pagar os trabalhos que são efetuados", disse a Covifuros.

A Captágua reforça a queda de aquisição de furos, quer por parte dos "grandes clientes", as empresas, quer dos particulares. A responsável da empresa, Joana Duarte, explica que um cliente normal (não empresa) chega a gastar, em média, entre 3500 a 5000 euros mais IVA europor um furo. S. F.

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