Obras do novo aeroporto derrapam para 2011

Estudos dos terrenos avançam já em Agosto.

O início da construção do novo aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete vai derrapar para 2011, furando as contas do Governo que previa o arranque das obras em 2010. Carlos Madeira, presidente da Naer- Novo Aeroporto , explicou o adiamento com o facto de não se conhecer "bem o local" e existir "informação insuficiente". Contudo, espera que a infra-estrutura demore "cinco a seis anos a construir", pelo que ficará concluída em 2017, como se previa.


A Naer está a tentar recuperar o tempo perdido com a alteração da localização da Ota para o Campo de Tiro de Alcochete , avançando já em Agosto com uma série de estudos. No próximo mês, as empresas seleccionadas nas áreas da geotecnia, geologia, hidrologia, hidrogeologia e hidráulica vão passar a pente fino o terreno onde irá ficar localizado o aeroporto . Até final do ano, a Naer espera conhecer em detalhe o terreno e avançar com uma segunda frente de trabalhos por forma a ter pronto, no final do primeiro trimestre de 2009, o Plano Director de Referência, sobre o qual os concorrentes à construção, que tem a privatização da ANA subjacente, irão trabalhar e redesenhar o lay-out da aerogare.


Carlos Madeira mostrou ontem, pela primeira vez, o desenho do futuro aeroporto de Lisboa, que segue a tendência dos últimos aeroportos, como o de Pequim, com os aviões concentrados numa única área e com acessos fáceis entre o terminal e o avião.
A distância de uma extremidade à outra do terminal está fixada em 1300 metros, que a pé serão percorridos em 10 minutos e por shutlle em cerca de três minutos. Junto ao terminal haverá lugares para o estacionamento de aviões, operados por companhias que não querem pagar as taxas pela utilização das pontes telescópicas (mangas), como as low cost.


O aeroporto vai arrancar com duas pistas, no sentido Sul/Norte, sendo uma, mais a leste, utilizada utilizada para voos com destino à Europa e voos internos; a outra, a oeste, vai estar vocacionada para os voos de longo curso (Américas e África). A área de transferência dos voos da TAP ficará próxima da pista mais a oeste. O presidente da Naer recusou o pedido de Fernando Pinto, presidente da TAP, de ter um terminal dedicado à companhia e à aliança de que faz parte - a Star Alliance -, porque as "as companhias aéreas fundem-se, mudam de bases, vão à falência e saem e entram nas alianças", justificou. E realçou que não quer ter em Alcochete edifícios abandonados , citando o caso do aeroporto americano JFK, em Nova Iorque, onde existem "milhares de metros quadrados desocupados em edifícios antes ocupados por companhias que foram à falência", como a TWA.


Os planos prevêem já duas fases de expansão. Na primeira, está previsto um edifício (satélite) que irá funcionar para as companhias de baixo custo e charter nos voos ponto a ponto, quando se atingirem os 30 milhões de passageiros/ano; a segunda prevê a construção de um novo terminal e mais duas pistas, quando se chegar aos 45 milhões de passageiros.

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