Milhões para compensar falta de aeroporto na Ota

As comunidades municipais do Oeste e da Lezíria do Tejo viram ontem formalmente reconhecidos pelo Governo os projectos, há muito almejados, para compensar a decisão de transferir o futuro aeroporto de Lisboa, da Ota para a Margem Sul do Tejo.

A construção do Hospital Oeste-Norte, a remodelação ou construção de um novo hospital de Torres Vedras - Oeste-Sul, a criação da Agência Regional de Energia e Ambiente, a requalificação urbana de oito municípios, a construção de cinco postos da GNR e de uma nova esquadra da PSP para o Cartaxo foram alguns dos projectos anunciados.

O Governo mostrou disponibilidade para realizar um diagnóstico às necessidades de formação da região, para ajudar a criar parques e centros de negócios em cinco municípios e para avançar com a modernização da Linha do Oeste (Figueira da Foz/Cacém) .

A cerimónia de assinatura do acordo de cooperação entre o Governo e os presidentes das câmaras que integram a Associação de Municípios do Oeste (12) e as quatro da Comunidade Urbana da Lezíria do Tejo, decorreu ontem nas Caldas da Rainha e foi presidida pelo pri meiro-ministro. José Sócrates elogiou a atitude dos autarcas por terem optado por elaborar um plano alternativo ao abandono da Ota como local para o aeroporto de Lisboa, em vez de apenas se queixarem. "Os autarcas do Oeste e da Lezíria pouparam o País ao que é habitual: o espectáculo habitual das recriminações, da exposição de frustrações, do espectáculo de azedume. Desta vez isso não existiu".

Os autarcas e o Governo, sob a coordenação do ministro das Obras, elaboraram desde Fevereiro um programa de acção para a região que contempla a realização de 120 projectos, até 2017. Dos projectos, 59 são da iniciativa do Governo e 61 da dos municípios e constituem o programa de acção para o Oeste, já aprovado em Conselho de Ministros e publicado em Diário da República, totalizando 2,1 mil milhões de euros.

"Durante anos a região suportou os custos directos de um grande projecto de desenvolvimento que acabou por não se realizar e isso teve um custo directo e mensurável", reconheceu o primeiro-ministro. "É de elementar justiça que o Estado faça um especial esforço para promover projectos que, em conjunto, possam estruturar uma nova perspectiva e uma alternativa para o desenvolvimento", sustentou.

Sócrates exortou à concretização do programa afirmando que "muitas vezes os planos falham na execução e no nosso País há uma grande cultura de concepção e uma cultura menos exigente à execução". Os concelhos abrangidos pelo programa de acção são: Alcobaça, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Peniche, Sobral de Monte Agraço, Torres Vedras, Santarém, Cartaxo, Azambuja e Rio Maior.

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