Material contaminado do rio será guardado em terra

LNEC alerta para riscos de atraso e aumento de custo

A existência de sedimentos com elevados graus de contaminação, em particular na Margem Sul onde serão instalados pilares da ponte Chelas-Barreiro, vai obrigar a retirar material do leito do rio que terá de ser guardado à superfície em aterros impermeabilizados. A Rede de Alta Velocidade (Rave) já está a identificar locais possíveis o mais perto de Lisboa possível, uma questão que será detalhada no estudo de impacte ambiental, esclareceu ao DN Duarte Nuno da Silva, gestor do projecto da terceira travessia do Tejo (TTT).


O relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil ( LNEC ), que recomenda o corredor Chelas-Barreiro para a construção da nova travessia, alerta que a existência destes sedimentos contaminados "introduz na prática fortes constrangimentos às operações de dragagens, com previsíveis repercussões no custo e no prazo dos trabalhos", embora possa ser vista como uma oportunidade de reabilitação ambiental. O anexo da qualidade do sedimento do estuário, ontem revelado, assinala ainda que a "questão dos destino final dos dragados é especialmente complexa".


O documento alerta para a possível existência de problemas de contaminação do sedimento muito significativa nos quilómetros 6 e 7, junto à Margem Sul (em frente à antigo complexo químico do Barreiro, onde está a Quimiparque), que atingem a classe 4 e 5 (pontuação mais alta para material muito contaminado). A avaliação tem por base um parecer do Instituto Nacional dos Recursos Biológicos (IPIMAR) que é em parte contestada pela Rave. Duarte Silva explicou que sondagens mais recentes apontam para a existência apenas de sedimentos contaminados de grau 4, e em menor quantidade que o estimado. Ainda assim, este nível obriga à remoção para terra do material libertado pelas escavações dos pilares.


Na construção da ponte Vasco da Gama, o nível mais elevado detectado era de classe três (ligeiramente contaminado), tendo estes dragados sido retirados e depois depositados numa zona mais afastada, mas ainda dentro água. No entanto, no eixo Chelas-Barreiro, o elevado nível de concentrações de mercúrio ou o cádmio faz destes sedimentos "material contaminado ou muito contaminado", sendo neste caso desaconselhada a sua dragagem e expressamente proibida a sua imersão.


O relatório assinala, por isso, que a questão da contaminação deve ser considerada relevante na apreciação da nova travessia do Tejo. Apesar da informação existente apontar para que a solução Beato-Montijo seja mais favorável que Chelas-Barreiro nesta questão, o relatório realça que a associação daquela travessia a um túnel Montijo-Barreiro torna os dados insuficientes para uma recomendação conclusiva. Além disso, um túnel implica mais dragagens, sendo mais desfavorável. Por outro lado, a ponte Chelas-Barreiro obriga a dragagens adicionais por causa das obras de minimização do impacto no porto de Lisboa, na Margem Sul.


Sobre eventuais impactos no custo e no calendário (1,7 mil milhões de euros e 2013) para os quais o LNEC alerta, Duarte Silva lembra que este não é um problema novo e que tem vindo a ser estudado ao longo dos anos. Garante por isso que o projecto da ponte pondera na sua estimativa de orçamento e prazo de execução eventuais atrasos ou derrapagens de custos decorrentes da execução das soluções para o problema, reconhecendo, no entanto, ser de grande complexidade técnica e de dimensão ainda desconhecida.|

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