As "compensações" para quem perdeu o novo aeroporto

Azambuja dá prioridade à recuperação de património

Durante dez anos, doze concelhos da região da Ota viveram na expectativa de ter um aeroporto por perto. E dois deles, Azambuja e Alenquer, foram mesmo alvo de limitações à construção que uma obra daquele cariz impunha.

Desenharam planos de desenvolvimento com base numa infra-estrutura que agora viram partir para a outra margem do Tejo. Por isso, exigem "compensações" do Estado. Ou seja, querem que o poder central dê prioridade aos investimentos nestes concelhos, que suporte os custos de alguns projectos que eram da responsabilidade das autarquias, e que dê "uma atenção especial" às candidaturas aos fundos comunitários de alguns dos investimentos que ainda estão no papel.

 Tudo isto ajudará a implementar novas estratégias de desenvolvimento, que lhes permitam crescer, atrair investidores e assegurar empregos. E esquecer que o novo aeroporto de Lisboa já não é na Ota.


Joaquim Neves Ramos, o presidente da Câmara Municipal da Azambuja, garante que o que solicitaram ao Governo é uma antecipação dos investimentos a realizar pelo Estado na zona e "um olhar especial" para as candidaturas de projectos dos municípios no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).

O mesmo defende o presidente do município de Alenquer, Álvaro Joaquim Gomes Pedro, relembrando que quer o primeiro-ministro, José Sócrates, quer o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, já assumiram que estes eram os dois concelhos mais penalizados pelo facto de o projecto do novo aeroporto ter sido transferido para o Campo de Tiro de Alcochete.


Para a Azambuja, um desses investimentos prioritários a realizar pelo Estado é a obra de reconversão da Estrada Nacional n.º 3 entre a Azambuja e o Carregado. A obra implica uma duplicação da via entre aquela localidade e Vila Nova da Rainha e a construção de uma variante a partir de Vila Nova da Rainha até ao Carregado, com inserção na A1.


"Temos falado sistematicamente ao Governo neste projecto tão importante para o desenvolvimento do concelho, mas também para a redução da sinistralidade rodoviária, que ali é das mais altas do País", relembra Joaquim Neves Ramos, defendendo que a Azambuja deve ser a porta norte de entrada de mercadorias em Lisboa. Por isso espera acolher muitas empresas.


A outra actividade a desenvolver no concelho é o turismo. Daí a prioridade que o autarca atribui à recuperação de património histórico, como o Palácio Pina Manique, que já conta a com a aprovação do Ministério da Cultura.


No âmbito do QREN, Joaquim Neves Ramos pede uma atenção especial do Governo para as candidaturas de três projectos: o de qualificação urbana do eixo Azambuja- -Aveiras de Cima, com respectivas vias de comunicação, a reconversão do castro de Vila Nova de S. Pedro e o projecto de valorização da zona ribeirinha do Tejo.