Alcochete ficou livre por causa de 'F-16'

Nova localização foi uma "decisão política"

A satisfação do Presidente da República com o desfecho da questão do aeroporto foi ontem admitida ao DN por uma fonte de Belém. Foi uma batalha em que Cavaco se empenhou e na qual se envolveu em encontros com especialistas em engenharia e militares, que contribuíram para libertar os terrenos da Força Aérea do campo de tiro. Ontem foi anunciada a decisão de José Sócrates de construir o aero- porto em Alcochete. O investimento na Ota é questionado por Cavaco desde 2005.


A nova tecnologia utilizados nos aviões F-16, equipados com bombas de precisão, permitiu libertar os terrenos do Campo de Tiro e viabilizar a localização do futuro aeroporto em Alcochete. Com os novos equipamentos, as Forças Armadas deixaram de precisar de uma área tão vasta como os 7500 hectares do campo de tiro gerido pelas Forças Armadas, que invocaram "interesse nacional" para a libertação dos terrenos, trocando as voltas ao Governo que já tinha aprovado a Ota para o futuro aeroporto .


Ontem, numa atitude inédita, José Sócrates enfrentou os jornalistas no final do Conselho de Ministros e explicou que Alcochete não foi a primeira escolha porque não existiam estudos. Uma situação que se alterou com o trabalho desenvolvido pela CIP e agora confirmada pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).


O Governo recebeu o estudo do LNEC na quarta-feira e ontem "tomou a decisão política" de escolher Alcochete. Com esta decisão Sócrates disse que o Governo "pode dormir descansado".


A opção assentou no relatório do LNEC, que concluiu que a localização do novo aeroporto em Alcochete é do ponto de vista técnico e financeiro "globalmente mais favorável" do que a Ota. Na síntese, o laboratório refere que Alcochete ganha à Ota em "quatro dos sete factores críticos de decisão": segurança, eficiência e capacidade das operações do tráfego aéreo; sustentabilidade dos recursos naturais e riscos; compatibilidade e desenvolvimento económico e social e avaliação financeira.

A Ota vence nos restantes três: conservação da natureza e biodiversidade; sistemas de transportes terrestres e acessibilidades; e ordenamento do território. Sócrates salientou que a decisão "está sustentada nos melhores estudos técnicos".
Decisivo foi também o facto da construção do aeroporto em Alcochete ser 260 milhões de euros mais barato do que se fosse na Ota. A análise financeira incluída no estudo indica que a construção do aeroporto em Alcochete implica um investimento de 4,926 milhões de euros, a preços de 2007, enquanto a opção pela Ota implicaria um investimento de 5,191 milhões. Além do investimento, a implantação do novo aeroporto em Alcochete vai permitir criar mais riqueza. Caso a opção fosse pela Ota, a criação de riqueza ascenderia a 1655 milhões de euros, enquanto para Alcochete ascende a 1986 milhões.


Ao lado do primeiro-ministro, Mário Lino, ministro das Obras Públicas, estava pouco à vontade, perante a insistência dos jornalistas sobre o seu futuro. Mas Sócrates garante que o seu ministro "tem todas as condições para se manter no Governo".
Mário Lino revelou que as obras em Alcochete vão começar em 2010, prevendo-se que fiquem concluídas em 2017, altura em que o aeroporto da Portela "será desactivado". Mas a decisão final sobre o novo aeroporto está ainda dependente da avaliação ambiental que será feita nos próximos seis meses e que será fundamental para que Bruxelas desbloqueie o financiamento.

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