Depois de conhecerem o mundo, decidiram vendê-lo

Após várias viagens pelo mundo, três amigas deixaram as vidas profissionais e criaram uma empresa de viagens por medida.

Foi enquanto subia o monte Kilimanjaro que Lisete Cardoso decidiu mudar de vida. Com um bom emprego no mundo financeiro e uma vida muito agitada, a revisora oficial de contas decidiu deixar tudo para trás e dar azo à sua veia empreendedora no mundo em que se sentia mais confortável: o das viagens.

Raquel Ribeiro, que acompanhava Lisete na subida ao ponto mais alto de África, alinhou na aventura e - com uma terceira sócia - arrancaram para um "projecto diferente", um ano depois, em Maio de 2010. Travel Tailors foi o nome escolhido para a empresa que a troika de amigas gosta de chamar de "atelier de viagens" e surgiu porque "em Portugal havia agências de viagens para massas a mais, mas personalizadas a menos". É isso que a Travel Tailors faz: viagens à medida daquilo que são os gostos dos clientes. "Há quem prefira poupar no alojamento e ter mais experiências, e quem queira dormir em sítios de luxo. Os nossos programas são muito mais versáteis do que os das operadoras comuns", explica Lisete.

A empresária acredita que metade do prazer da viagem está em programá-la. Depois de anos a fazê-lo para si e para os seus amigos, decidiu aproveitar o know-how para abrir um negócio. O "bichinho" das viagens começou quando ainda estudava e fez Erasmus na Escócia. Aliás, as sócias têm em comum a amizade e o vício das viagens.

Lisete planeia as viagens de quem procura a Travel Tailors como se fossem as suas, com a diferença de que o programa é "adaptado ao gosto de cada cliente". Mas, regra geral, os programas têm quase sempre uma componente de descoberta cultural conjugada com o ócio. A Travel Tailors propõe também sempre algo diferente em cada viagem, tal como exemplifica Lisete: "passar uma noite com uma comunidade local, ter uma aula de cozinha na Tailândia ou andar de motorizada em Saigão [Vietname]".

Embora a empresa pense em vários tipos de clientes, assume como público-alvo "a classe média alta". Isto porque, embora os destinos sejam mais alternativos, são distantes, envolvendo custos acrescidos. Como conta Lisete, os destinos mais procurados têm sido "safaris, os EUA, a Polinésia e o Sudoeste asiático".

Até aqui, o negócio tem-se baseado nas viagens para o estrangeiro. No entanto, a Travel Tailors vai começar a apostar em atrair turistas para Portugal. Entre os programas que estão a ser criados incluem-se os "roteiros gastronómico, de paixão pelos cavalos, medieval, do surf, do vinho verde ou o romântico". A ideia de apostar em Portugal surgiu, como explica Lisete Cardoso, porque "já corremos todas muito mundo, mas acreditamos muito no potencial do nosso país."

Sobre o facto de a empresa ter arrancado em clima de crise, Lisete Cardoso responde com confiança: "Se começámos numa altura destas, pior não fica. A partir daqui só podemos crescer." Além da conjuntura financeira, também a política acaba por afectar alguns dos objectivos da empresa. "Este ano estávamos a preparar uma viagem para a Síria, mas como a situação naquela zona se complicou (Primavera Árabe), optámos por desmarcar", conta.

Por apostarem na diferença, as sócias da Travel Tailors não temem as restantes agências de viagens. "A maior concorrência são os próprios clientes e o à-vontade com que eles próprios marcam viagens através da Internet", explica Lisete Cardoso.

Apesar do risco, o gosto pelas viagens e o espírito empreendedor falou mais alto. Das três sócias, apenas Raquel Ribeiro mantém outra ocupação, uma vez que é professora universitária. Já Lisete e Paula dedicam-se em exclusivo à empresa, que consideram "de sucesso". Para o futuro têm um desejo igual ao de muitas outras empresas: crescer.

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