"Somos portugueses, mas não somos baratinhos"

Os móveis Boca do Lobo e os candeeiros 'Delightfull' chegam a meia centena de mercados e marcam tendências.

"Somos portugueses, mas não somos baratinhos." É desta forma que Ricardo Magalhães responde aos clientes internacionais que ainda não conhecem o selo de qualidade da "sua" Boca do Lobo (BdL) e que indagam se a origem é equivalência de preços baixos. Nascida em 2005, a BdL é só a face mais visível da Menina Design, empresa criada pelos designers Amândio Pereira e Ricardo Magalhães em 2003, que reúne meia dúzia de marcas representantes da nova imagem do mobiliário e decoração de interiores nacional. Destaca-se também a Delightfull, marca de iluminação de interiores vintage que reinventa peças das décadas de 50 e 60, surgida em 2008 e que tem conquistado mercado, sobretudo na Alemanha e nos países nórdicos.

Ambas exportam mais de 90% da produção, para meia centena de países, e contam duplicar as suas faturações este ano, embora os conceitos sejam distintos. "São públicos diferentes. O mobiliário da BdL tem de ter protagonismo dentro de uma casa; é uma peça imponente que precisa de uma parede. Um candeeiro Delightfull é discreto e serve para equilibrar o ambiente", explica Ricardo Magalhães, sublinhando que enquanto a Delightfull está em ano de afirmação a BdL já marca tendências com as suas peças únicas, como o cofre Millionaire, que custa 27 mil euros, mas tem uma versão de ouro maciço que vale 2,3 milhões de euros.

"Às vezes somos alcunhados de loucos, uns miúdos que fazem umas asneiras. Os donos da empresa têm 32 anos, eu tenho 28 e estou a gerir uma equipa ainda mais nova. Isso faz que arrisquemos. Tentamos nunca deixar um projeto na gaveta. Certo é que cada vez mais pessoas nos compram do outro lado do mundo através de um e-mail, sem tocar na peça. Isso representa a força que a BdL já tem", conta Ana Gomes, diretora de Marketing e Comunicação do grupo Menina Design, evocando em seguida três distinções para peças BdL na feira parisiense Maison & Objects, em finais de janeiro, como prova de que arriscar é o caminho para conquistar o mercado internacional.

Antes de marcar tendências em Londres, Nova Iorque ou Paris, a BdL deu os primeiros passos em Rio Tinto, nos arredores do Porto, onde está sedeada. A marca forte do grupo Menina Design surgiu em 2005 da ideia de Ricardo e Amândio que decidiram investir numa unidade de produção capaz de reinterpretar a tradição do mobiliário nacional ao sabor das tendências do mercado global. "Estávamos a perder a identidade do mobiliário português, que não sabia acompanhar o mercado. Percebemos que havia espaço para criar peças únicas, que marcassem ambiente numa casa. Para isso, transformámos uma fábrica em Rio Tinto - da carpintaria, que trabalha ao metro, passámos para a marcenaria, que trabalha ao milímetro. Assim que reunimos capacidade financeira e cobertura produtiva avançámos com a marca", recorda Ricardo Magalhães.

Certo é que, se de momento o projeto passa por continuar a crescer em feiras internacionais e na Internet, com uma larga equipa de gestores de bases de dados e estudos de mercado, o grande passo para o upgrade da BdL é bem concreto: abrir uma loja da marca em Nova Iorque.

Para tal, bem pode contribuir o know-how do sócio Amândio Pereira, que se mudou para os Estados Unidos e que além da representação das marcas da Menina Design naquele país prepara o terreno para o novo projeto, que está a ser muito bem ponderado, conforme frisa Ricardo Magalhães: "Abrir uma loja em Nova Iorque é um projeto estratégico, mas seria uma loucura fazê--lo já. Não queremos que a ambição nos traia e há que cimentar a notoriedade num mercado tão grande como os Estados Unidos. Mas que é um sonho, lá isso é..."