O 'design' português inspirado na filosofia alemã

Criada em 2004, esta empresa, especializada em 'design' de comunicação, teve já vários clientes de peso, como é o caso da Vista Alegre.

"Em tempo de crise a primeira área, o design de comunicação, é uma das primeiras coisas em que as empresas cortam." Catarina Pestana é uma das responsáveis pela empresa Dasein, e, apesar de reconhecer esta realidade, explica que "o facto de a sua empresa ser diferente, faz que passe ao lado da crise".

A Dasein trabalha o design de comunicação - ou seja, fazem campanhas e montras - de grandes marcas, como é o caso da Vista Alegre, Instituto Alemão ou até da Visabeira. E, o que torna esta empresa, criada há oito anos, diferente das outras é o facto de ter um carácter familiar. "Não cobramos por cada PowerPoint que fazemos, como acontece nas grandes empresas. E não reunimos só para justificar ao cliente o dinheiro pago.

Trabalhamos de forma prática e ao sermos um pequeno atelier conseguimos dar uma resposta muito mais personalizada", continua Catarina.

O nome da empresa surgiu da ligação que esta responsável mantém com a Alemanha e a com a cultura germânica. Dasein é uma corrente existencialista iniciada pelo filósofo alemão Martin Heidegger no século XIX e o fácil trocadilho com a palavra design foi aproveitado para dar origem a esta empresa.

E não é só o nome que é alemão. A filosofia de trabalho também. "Não impomos nada a ninguém, todos temos horários flexíveis, trabalhamos por objetivos, temos um feriado próprio, sem nunca falhar os prazos. É um escritório alemão no centro de Lisboa", afirma enquanto solta uma gargalhada.

Mas a ligação a Portugal é muito forte. Os principais clientes são portugueses e Catarina não se imagina a trabalhar num outro País. "Vivi já em Inglaterra e não tenho dúvida de que lá teria tido mais projeção, mas preferi vir para o meu país e criar algo de raiz, um género de atelier que não existia e que acabou por revolucionar o design de comunicação que se fazia em Portugal", diz Catarina.

No ano em que foi criada (2004 ), a Dasein teve logo como cliente a Caixa Geral de Depósitos. Na altura, o banco precisava de preparar uma campanha de Natal, e o pequeno atelier do Largo do Caldas produziu, em colaboração com outra empresa, um castiçal com design exclusivo, destinado a clientes especiais.

E ainda que a crise não bata à porta da Dasein, a verdade é que este tipo de design ainda é completamente ignorado pela maioria dos portugueses. "Há locais onde eu nem posso dizer o que faço, o cabeleireiro é um deles. Se eu disser que sou designer de comunicação saio de lá com o cabelo roxo, digo sempre que trabalho num banco", brinca Catarina. Quando quer explicar a uma pessoa em que trabalha tem de dizer que "faz capas de CD ou posters".

Outro dos motivos que faz da Dasein um projeto inovador é o facto de aceitar o risco partilhado com empresas que estão financeiramente instáveis. Nesses casos, a Dasein constrói trabalho à imagem do seu cliente, recebendo a recompensa só se esse trabalho tiver resultados práticos. "É uma forma de mostrarmos aos clientes, os que estão a passar por dificuldades, que acreditamos no projeto." Em situações normais, a criação de uma imagem e de um logótipo pode ir dos 2500 euros até aos 30 mil. Depende do que o cliente procura e pode pagar.

A Dasein está agora prestes a dar mais um passo: a internacionalização. "O mercado da lusofonia é muito atraente, sobretudo o Brasil. Só ainda não demos esse passo porque isso envolve um grande investimento", conclui Catarina Pestana.