Inspirar sorrisos à refeição e ter colheres a servir de mesa

Negócio familiar começou com exposição em Nova Iorque. Loiça, toalhas e mesas são alguns dos produtos que convencem mais lá fora do que cá dentro.

"Quando começámos, ninguém acreditava que o cesto era só papel." Cláudio Cardoso já se habituou ao ar surpreendido de quem comprova, através do tato, que o exemplar de um jornal ou do almanaque Borda d'Água podem ser ótimos substitutos para a tradicional verga utilizada um pouco por todo o País na feitura de diversos artefactos. O objeto foi um dos cartões de visita, há sete anos, da Studio Verissimo na De- signboom Mart de Nova Iorque - a primeira das muitas exposições internacionais em que a empresa já esteve presente e a principal impulsionadora do negócio familiar.

"Em 2005, tivemos o convite [na sequência de um concurso] para exibir em Nova Iorque. Até aí, tínhamos alguns produtos, mas não sabíamos ainda o que íamos fazer com eles", conta o designer industrial, que, juntamente com a mulher, Telma Veríssimo, fundou a Studio Verissimo. À exposição, a dupla levou, para além do cesto "noticioso", uma fita-cola que é também métrica e uma toalha capaz de reproduzir em qualquer mesa o ambiente de um piquenique onde não faltem dezenas de formigas.

Os exemplos mostram bem as duas vertentes das gamas produzidas pela empresa sediada em Manique (Cascais). Aos cestos e mesas ecológicos que resultam do reaproveitamento de, respetivamente, papel e cápsulas ou colheres de café, juntam-se objetos de cozinha - desde pratos a canecas, passando por tábuas e toalhas - que pretendem sobretudo provocar um sorriso de alegria em quem os utiliza diariamente.

"Quando podemos, gostamos de brincar com a situação", explica Cláudio Cardoso, ao mesmo tempo que aponta para uma caneca de leite decorada com as medidas consideradas ideais para cozer arroz e para uma tábua onde foi inserida uma régua. A última, a que o casal chamou Which Size? [de que tamanho?], é comercializada exclusivamente pela empresa alemã Details - uma condição que a equipara ao banco "dois em um" produzido pela norte-americana Touch.

Estas duas peças são as únicas que não são produzidas pelos dois designers formados na Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha e que se dedicam essencialmente à exportação. Por cá, os seus produtos estão à venda só em duas lojas (uma delas é a Benetton), enquanto lá fora já cobrem prateleiras nos EUA, Reino Unido, França, Suíça, Áustria, Austrália e... Letónia.

E, se a presença em Nova Iorque foi a grande alavanca para a formação da empresa, a chave para o sucesso pode muito bem ter estado no desafio que Cláudio Cardoso e Telma Veríssimo abraçaram quando decidiram que queriam mostrar que as pequenas colheres de plástico usadas para mexer o café podem formar uma estrutura. O projeto demorou mais de um ano a ser concretizado, mas, em 2009, as mesas e candeeiros da Spoon Collection viram finalmente a luz do dia, com as mesas a surpreenderem pela sua resistência e os candeeiros a serem requisitados, com medidas personalizadas, além-fronteiras. "Temos um com 1,5 metros por 1 metro num bar nos EUA", exemplifica Cláudio Cardoso.

A coleção foi a última a ser lançada pela Studio Verissimo, que está agora a estudar novos projetos. Mas o investimento necessário pode ser um problema. "Quando começámos a falar com outros designers, alguns ingleses diziam-nos que têm subsídios. Nós, quando queremos desenvolver algum produto, temos de nos preparar", confessa o sócio e fundador da empresa.

Certo é que, apesar de a Studio Verissimo viver sobretudo da exportação, não haverá objetos mais internacionais do que outros. "Quando criamos, não pensamos se é para fora ou para dentro. É para o mundo. As pessoas são felizes cá dentro e lá fora", conclui um dos donos da empresa que só quer fazer os outros felizes com o seu design.

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