Da inspiração de Madonna à coleira do cão de Obama

Ao Presidente dos EUA ofereceu a coleira para o cão. A Angela Merkel e a Nicolas Sarkozy uma mala. Em comum, a cortiça portuguesa.

Quando em 2002 decidiu aproveitar o excedente de matéria-prima, devido à crise económica, das rolhas de champanhe, produzidas pela Novacortiça, S.A., pertencente ao seu pai, César Correia, antigo árbitro de futebol, Sandra Correia acabou por fazer sucesso na Feira Internacional de Mulheres Ibero-Americanas, em Almeria (Sul de Espanha). Apresentou um guarda-chuva, por si idealizado, totalmente produzido em pele de cortiça.

Foi o primeiro produto então lançado pela Pelcor, fundada em 2003 por aquela empresária que teve a ideia de transformar a cortiça em moda, num produto de desejo. "As pessoas ficaram boquiabertas por se tratar de uma grande inovação e não paravam de questionar como é que a cortiça nos pode proteger da chuva", diz.

Pouco depois, começou a surgir no mercado uma vasta gama de produtos concebidos por designers, desde pufes, blocos de apontamentos, canetas, carteiras, porta-chaves, cintos, luvas, gravatas e molduras, até malas para senhora, sapatos e candeeiros. Mas o que contribuiu para aumentar a notoriedade da Pelcor a nível internacional foi a coleira em cortiça para o cão de água de raça português, fabricada propositadamente para oferecer ao Presidente dos EUA, Barack Obama, na Cimeira da Nato, em Lisboa, em 2010. À coleira juntaram-se malas topo de gama para líderes europeus, como a chanceler alemã Angela Merkel e o Presidente francês, Nicolas Sarkozy.

A oferta para o cão de Obama acabou por impulsionar a venda de produtos da Pelcor nos EUA, após o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque lhe ter aberto as portas naquele ano. "O mercado norte-americano é para onde exportamos mais, por isso é o que melhor conhece os nossos produtos. Ainda não comercializamos coleiras, mas podem ser feitas por encomenda, e já tivemos um feedback positivo. Para aquele mercado vendemos sobretudo produtos da nossa gama de luxo de acessórios", conta Sandra Correia.

A Pelcor exporta para África do Sul, Japão, Alemanha, Holanda, Reino Unido, Grécia, Finlândia e ainda Suécia. E o objetivo passa por internacionalizar mais a empresa, apostando no Brasil e no Médio Oriente.

O guarda-chuva, por 85 euros, e as malas de gama de luxo Skin by Skin, entre 70 e 200 euros, são os produtos mais procurados. Já um porta-chaves, por exemplo, custa 8,13 euros, enquanto o preço de uma gravata ascende a 90 euros.

No primeiro trimestre de 2012, a Pelcor surgirá nos mercados de forma reinventada com um design inovador, mantendo a aposta na qualidade de excelência. "O nosso cliente-alvo é urbano e chique e a coleção é uma combinação de peças intemporais, que seguem a tendência", nota a empresária, de 41 anos, para quem a aposta passa por tornar a Pelcor "líder nos acessórios de moda em Portugal e como principal marca exportadora de acessórios de moda made in Portugal'". "Queremos destacar-nos por ter uma variedade de acessórios feitos em cortiça, natural e trabalhada em material ecofriendly. Quando tal acontecer, serei uma mulher realizada, tanto na vida profissional como pessoal, pois amo a cortiça e o trabalho", sublinha Sandra, doutorada em Gestão e Estratégia na Área Empresarial.

Madonna é sua fonte inspiração "pela forma como tem gerido a carreira de cantora e empresária, além de estar sempre à frente na moda".

Solteira e benfiquista, não descura o aspeto físico e o mental, com sessões no ginásio e um treino próprio - é mestre de reiki - que lhe permitem uma autodisciplina diária.

Natural de São Brás de Alportel, adquiriu o gosto pela cortiça na infância, na fábrica do seu pai. Hoje, Sandra Correia é considerada a melhor empresária da Europa, o que a deixa orgulhosa: "É um prémio para Portugal, muito em especial para as portuguesas."

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