Criador dos móveis de Ronaldo aposta na alta tecnologia

Jetclass tem apresentado móveis inovadores que despertam cobiça de clientes de todo o mundo, entre eles Cristiano Ronaldo.

De Valongo para o mundo. Assim tem sido feito o crescimento da Jetclass, uma marca de mobiliário nacional, criada nesta localidade nortenha, em 2003, que tem exportado as suas peças para os quatro cantos do planeta, abraçando um mercado médio/alto de clientes que pretendem artigos inovadores, de design invulgar, boa qualidade e que confiram um certo estatuto e glamour.

Talvez por isso, os móveis feitos pela Jetclass, todos eles com o logótipo de marca gravado com cristais, tenham sido escolhidos, para decorar as suas habitações, por personalidades como José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola, ou Cristiano Ronaldo, assim como por vários outros desportistas, além de príncipes e governantes do Médio Oriente.

Agostinho Moreira, empresário que no início deste milénio arriscou lançar na sua fábrica a Jetclass, após vários anos a servir apenas de executante para outras marcas estrangeiras, cedo percebeu que deveria apontar para nichos de mercado que apreciassem a exclusividade, requinte e pagassem bem por isso.

"Apostamos num produto de alta decoração, para certos gostos, mas com bons acabamentos, e que esteja sempre em busca da inovação. Além disso, orgulhamo-nos de prestar um bom serviço antes e depois da venda. Esse é um aspeto essencial e muito valorizado pelos clientes", partilhou com o DN Agostinho Moreira, explicando o porquê de 90% daquilo que produz ser para exportação: "Portugal é um mercado muito pequeno, e mesmo a Europa já viveu melhores dias. Temos vendido agora para países como Angola, Nigéria, Rússia e Ucrânia. Vamos apostar, cada vez mais, nos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia China), pois é lá onde está, de momento, o poder de compra", explicou.

Ainda assim, e apesar do potencial de crescimento da Jetclass, o empresário queixa-se da falta de parceiros, sobretudo no sector da banca, e confessou que já pensou em deslocalizar a empresa para outro país.

"Há uma luta desigual entre as empresas portuguesas, que têm banca completamente fechada à concessão de créditos, e outras empresas europeias que têm condições mais favoráveis para o investimento", começou por dizer Agostinho Moreira, completando: "Todos os políticos sabem que exportar é uma das soluções para a crise, mas atualmente estamos por nossa conta. Ninguém quer acompanhar os projetos dos empresários. Se as coisas continuarem assim seremos obrigados a deslocalizar."

Mas mesmo perante a difícil conjetura nacional, os criativos desta marca de mobiliário, que no ano passado faturou 1,5 milhões de euros, não param de encontrar soluções para surpreender os compradores, algo que Agostinho Moreira considera ser, cada vez, mais difícil: "A alma do negócio deixou de estar no segredo, como se dizia antigamente, mas sim na capacidade para continuar a surpreender, fazendo coisas ainda mais inovadoras", disse o proprietário da Jetclass, mostrando preocupação com todos os pormenores dos seus móveis: "Todos os detalhes contam. Desde os acabamentos dentro das gavetas até à parte de trás das peças, tudo tem de ser perfeito, quer nas partes visíveis quer no que fica escondido."

Precisamente nessa senda da inovação, a marca portuguesa está a desenvolver uma linha de mobiliário hig h tech, num conceito em que o móvel integra de raiz vários tipos de tecnologia: "São móveis inteligentes, que têm um comando que aciona vários aparelhos incorporados, desde televisão, som, telefone e até um simples minibar. Tudo fica escondido dentro do armário e quando for necessário aciona-se através do comando", descreveu Agostinho Moreira, considerando que a indústria do mobiliário vai ter de se adaptar aos novos desafios e, sobretudo, às exigências dos clientes.

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