A empresa que cria desenhos e formas para a indústria

Nasceu no seio de um grupo de produção de moldes para desenhar o que o cliente procura. Berbequins, caixa de relógios e motos

O que têm em comum um corta-relva, uma caixa de relógios Swatch, um expositor de pastilhas elásticas ou um desfibrilhador? Aparentemente nada, mas a imagem de cada um deles saiu precisamente da mesma sala do edifício da Marinha Grande, a sede da empresa Grandesign.

A empresa de design industrial, nascida em 1997 no seio do grupo Vangest, dedica-se ao design dos mais diversos produtos e, também, de automóveis. "Começámos a identificar uma necessidade no mercado internacional de um player capaz de acrescentar valor às soluções que os nossos clientes queriam e propor soluções complementares ou alternativas", explica ao DN o administrador do grupo, Victor Oliveira.

Na altura o grupo dedicava-se à produção de moldes e por falta de mercado nacional exportava tudo o que produzia. "Não havia marcas que consumissem ou necessitassem das peças que produzíamos", explica. Com o mercado consolidado e clientes nos Estados Unidos, Brasil e Coreia, a empresa começou a perceber que para vencer "num mercado global" tinha de diversificar os produtos. "Havia essa abertura, disponibilidade e interesse em executarmos aquilo que os clientes desenhavam", revela.

Com o correr dos anos, o mercado português foi-se abrindo. Hoje representa 30% do produzido pela Grandesign (apesar de representar apenas 10% da produção do grupo Vangest). E prova disso foi o prémio de design atribuído, logo em 2002, pelo design da Kidstore, uma caixa para arrumar brinquedos da Domplex. Em 2008 novo prémio, o Red Hot Design Award, com a sinalética urbana Perlis - Percursos Urbanos do Lis, em Leiria. Da sede da empresa, na zona industrial da Marinha Grande, nasceram muitos outros projetos. "Não consigo eleger nenhum que prefira. O objetivo é satisfazer o cliente", diz João Ornelas, o diretor executivo da Grandesign. Mas entre os projetos que já assinou lembra o da Swatch - que contactou a própria Grandesign. "Queriam reformar as caixas dos relógios e depois acabaram por nos pedir para adaptar a caixa para outras gamas", referiu.

A caixa cúbica que hoje traz os relógios é assinada por portugueses, assim como produtos tão diversos como um berbequim da Black and Decker, um desfibrilhador para fins clínicos ou uma cadeira de transporte de crianças para colocar na bicicleta. "É preciso ter em conta toda a legislação europeia e dentro das imposições conseguir desenhar algo diferente", refere.

João Ornelas lembra, no entanto, que apesar de em Portugal as empresas estarem cada vez mais preocupadas com o design, todos os seus clientes são empresas exportadoras. E, na maior parte, estrangeiras.

Entre os trabalhos que saem das mãos, e da criatividade, de nove designers, já saíram peças para motos, "mas há muitas empresas a falirem por causa da crise económica, a moto é considerada um luxo", peças para autocarros, máscaras de soldadura e, até, brinquedos. Para o sucesso da empresa contribui todo o contexto do grupo.

Na sala ao lado estão expostos protótipos das mais diversas peças. Imagine-se a parte frontal de um simples comando de televisão. No edifício ao lado fabricam-se moldes para peças de automóveis a par de protótipos para fins médicos, no caso em concreto para servirem de estudo a futuras intervenções cirúrgicas. "Uma empresa destas não funcionaria na cidade de Lisboa, temos que estar num polo industrial", diz João Ornelas.

Aliás este é o ambiente em que muitas das universidades deviam apostar nos seus cursos de Design. "Os cursos têm de ter uma componente teórica e uma ligação com a vida real muito superior, não é só riscar bem. Há uma ligação fraca entre indústria e universidade", remata Victor Oliveira.

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