Uma marca nacional a apostar na produção portuguesa

Portuguesa e a apostar na produção portuguesa. É esse o caminho da Lanidor, marca nacional nascida há 40 anos perto de Aveiro. "Este Verão, a colecção de criança já era quase toda feita em Portugal", explica Catarina Ribeiro, directora de compras e também administradora da empresa.

Para além desta, é preciso também falar da Globe, outra etiqueta do grupo em que 75% das peças são produzidas cá dentro. A crise levou-os nesta direcção. "Se comprarmos em Portugal é mais fácil de repor stock", explica a mesma responsável, que já reviu em baixa as vendas deste Outono/Inverno. Perante o panorama "cada vez mais incerto", diz, a solução é uma navegação à vista. Isso e outros factores incontornáveis como o Outono que teima em não chegar quando as montras já estão cheias de camisolas para o frio. Só os sapatos já tiveram de ser repostos.

Diversificar a oferta é também o lema do grupo nas mãos da família Xavier desde o primeiro dia. Para além do pronto-a-vestir Lanidor e LA Kids & Junior, o grupo integra a Casa Batalha, uma das marcas portuguesas mais antigas, a sapataria Pablo Fuster (vendas apenas online), a loja de mobiliário e têxtil lar Companhia do Campo e, desde o Verão, detentora de 30% da Quebramar. "As nossas várias marcas são como um chapéu de chuva, o que nos dá alguma força de compra junto dos nossos fornecedores", diz Catarina Ribeiro. Por exemplo, "tenho estado em conversações com os nossos fornecedores para ter um prazo mais alargado de decisão". E, entretanto, continuam a crescer: estudam a abertura de lojas Pablo Fuster no próximo Verão e para já concentram-se na abertura da Globe no Chiado e da Companhia do Campo na Rua Braancamp, em Lisboa.

Fora de portas, a Lanidor continua a crescer. E, considera a directora de compras, "com a crise em Portugal seria bom termos mais lojas no estrangeiro". Espanha, Suíça, Arábia Saudita, Koweit, Irlanda, Chipre, Jordânia, Qatar, Líbano, Equador, Angola e Moçambique ("mercados naturais, onde já conhecem a marca") e, com a linha de criança, em Itália. "Abrimos cinco lojas esta estação, as próximas estão previstas para a próxima Primavera/Verão", conta. Mais uma vez, com a crise a falar, houve quem resolvesse adiar a abertura. O clima de contracção no velho continente (ainda que tenham aberto novos espaços em Madrid e Barcelona) contrasta com o crescimento em outros pontos do globo, constata a directora de compras. "Temos duas lojas no Equador e pretendemos abrir uma terceira. A América do Sul está bem", afirma. Internacionalmente, pois, a estratégia é "estudar e reforçar nos países onde já estamos". Só o Brasil põe mais interrogações. "É um país que observamos mas é difícil entrar, sem franchisados. O investimento é muito elevado", avança.

Em matéria de produção nacional, Catarina Ribeiro afirma que a Lanidor ainda tem de procurar fora para encontrar alguns bordados e aplicações ou sweat shirts para miúdos. No entanto, contrariando algum pessimismo em relação à indústria nacional, a directora de compras considera que se deram saltos importantes que também contribuem para que uma marca nacional aposte cada vez mais no produto nacional: "Acho que o sector do calçado também está modernizado e actualizado." Mais: "Melhorou a rapidez de resposta, a compreensão dos fornecedores, que contribuíram para as marcas fazerem produções rápidas. Têm alguma flexibilidade para discutir preços, sacrificando para que todos possamos atingir os nossos objectivos." E da qualidade nada a dizer. "Sempre foi boa." Prova disso, conclui, é a conversa que teve recentemente com um fornecedor. "Disse-me: 'Vou aí sentar-me consigo e ver como podemos trabalhar'."

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