Num ímpeto, da pequena fábrica à expansão mundial

Alberto Figueiredo ultrapassou todas as dificuldades e transformou uma firma de seis pessoas numa grande marca de roupa interior

No princípio, eram seis trabalhadores, uma casa antiga na Apúlia (Esposende) e uma empresa de roupa interior sem marca própria. Mas, num ímpeto, tudo mudou. Agora são 775 empregados, dois largos pavilhões e uma marca cada vez mais famosa de underwear masculino, que vende em 35 países (e em alguns dos espaços comerciais mais famosos do mundo). É a Impetus.

Um ímpeto - diz o dicionário - é um movimento impulsivo, um abalo ou um arrebatamento. Na verdade, a Impetus não nasceu apenas disso. Mas foi a capacidade de se impulsionar e avançar que a trouxe ao ponto onde está hoje. "A fábrica começou em 1973, com seis funcionários, numa casa antiga, com um empréstimo de 250 contos", pela mão de Maria Emília Figueiredo, conta o seu marido (e agora presidente da empresa) Alberto Figueiredo, lembrando que foi preciso "recomeçar do zero após o 25 de Abril", porque as exportações caíram completamente, como retaliação, após a revolução.

Como resposta à dificuldade, novo ímpeto: "O que nos salvou foi que o mercado interno teve uma explosão." Então, a empresa fazia um pouco de tudo. Até que novo impulso a fez mudar para aquilo que é hoje. "Em 1990 pensámos que havia vantagens em criar uma marca própria e especializarmo-nos num produto", explica António Figueiredo.

Foi aí, nesse ímpeto, que nasceu a Impetus. Desde aí, a prioridade foi sempre o estrangeiro. Quem percorre os extensos pavilhões da sede e fábrica da Impetus - em Barqueiros (Barcelos) - e chega à secção final do embalamento encontra montanhas de caixotes, já preparados para seguir para fora do País (Espanha, França, etc.). Não é por acaso. A empresa vende em grandes centros comerciais como El Corte Inglès, Galeries Lafayette ou Printemps. E está a atacar mercados em alta, como México, Rússia ou China.

Assim, protege-se da crise, que também existe lá fora mas não é tão forte como cá. "A crise afecta principalmente quem se vira para o mercado interno", aponta Alberto Figueiredo. Mas, como o mercado nacional só significa "pouco mais de 3%" das vendas da Impetus, o futuro está resguardado. Depois desta fase, "quem se aguentar, vai ficar melhor", acredita o presidente.

Entretanto, a Impetus, que se dirige principalmente às classes média-alta e alta, vai continuar a crescer, tendo fé no boca-a-boca do "cliente satisfeito que fala ao amigo" da roupa interior da marca. A empresa minhota também representa as francesas Eden Park e Coup de Coeur. Mas são mesmo as marcas Impetus e a sua irmã mais nova Impetus Hot (uma variante mais colorida e irreverente) que lhe dão nome.

O target, "pessoas com algum poder de compra, dos 25 aos 60 anos", é exclusivamente masculino. A empresa ainda se aventurou no mercado feminino, mas esse "tem uma concorrência terrível, com preços esmagados", por isso Alberto Figueiredo acabou por recuar. Ainda assim, não falta fama à casa, seja graças ao mercado masculino (também de calções de praia) ou aos produtos técnicos - de roupa que permite regular a temperatura corporal até uma peça inovadora para pessoas com incontinência (Protech Dry), criada recentemente em parceria com a Universidade do Minho.

Assim, Alberto Figueiredo, que "no início só queria ganhar dinheiro para dar qualidade de vida" à família, bem pode sorrir. A empresa vai de vento em popa, é uma das principais empregadoras do concelho de Esposende (do qual Figueiredo já foi autarca) e, em 2010, "cresceu 20% nas exportações". E daqui a dez anos, poderá estar ainda melhor. "Então, deveremos ter uma empresa mais sólida, capaz de dar melhores condições aos trabalhadores, e que contribua para o sucesso do País", deseja o dirigente da marca que cresceu... num ímpeto.