Uma água que se tornou "património nacional"

A Água das Pedras nasce em Pedras Salgadas, onde a realeza passava férias, e é considerada uma das melhores gaseificadas do mundo

Há poucas marcas que dão nome ao produto que comercializam. Mas a Água das Pedras é um desses exemplos. Em Portugal, quase ninguém pede uma água com gás, mesmo que o produto apresentado pelo comerciante seja de outra marca. Para Bruno Albuquerque, director de marketing da Água das Pedras, esse é o ponto que distingue a marca no mercado nacional.

"Em Portugal há poucos ícones como nós. Nem mesmo dentro do mercado das cervejas se vê uma ligação tão forte entre uma marca e o produto, como acontece na Água das Pedras. Ninguém pede, no nosso País, uma água com gás", frisou.

Mas ainda que no dia-a-dia se chame água das pedras a "tudo o que tenha gás" a verdade é que há muitas diferenças. "A nossa água não é alterada, ela sai assim da terra e nós só a engarrafamos isso faz com que tenha características únicas. O facto de ser gasocarbónica reflecte-se no seu agradável sabor", explicou, ao DN, Bruno Albuquerque.

O sucesso desta marca começou há já muitos anos, ainda não era engarrafada, quando a família real escolheu a localidade de Pedras Salgadas como destino de férias. D. Maria Pia, o rei D. Fernando e até D. Carlos descobriram o que poucos conheciam. Uma pequena localidade no interior norte de Portugal a 1263 metros de altitude que conserva um microclima especial e dá origem a uma "água com vida".

Mas só mais tarde, em 1871, se iniciou a exploração deste recurso tão escasso quanto natural, que começou logo a ganhar prémios internacionais. Destes, destaca-se a distinção que alcançou logo dois anos depois em Viena de Áustria.

Mas, apesar do reconhecimento internacional, a exportação é muito complexa. "Há muitos especialistas que afirmam que a Água das Pedras está uns furos acima das grandes águas com gás do mundo. Mas nós não podemos iniciar uma grande expansão do produto, uma vez que é um bem natural e por isso limitado. Ao contrário das outras marcas que existem no mercado português nós não podemos carregar num botão e fabricar mais água para exportar", disse Bruno Albuquerque, soltando um sorriso.

Até há pouco tempo vista como uma solução para a indisposição, a Água das Pedras quer agora desligar-se desse uso, uma vez que o seu consumo pode ir muito além dessas situações. "Actualmente queremos que os portugueses percebam que este produto é excelente para acompanhar uma refeição, alias como acontece em países como a Alemanha", salienta o responsável, que garante que aos poucos os portugueses começam a fugir a este "preconceito".

Mas não é só. Dadas as suas características esta água é exotónica, ou seja ajuda a repor os sais minerais para quem pratica muito desporto.

A Água das Pedras faz parte da empresa Unicer, que detém outras importantes marcas de relevo como as cervejas Super Bock, Carlsberg e Cristal, as águas Vitalis e Caramulo e refrigerantes como o Guaraná Brasil e o Frutea.

A empresa sediada no Norte de País está a crescer no mercado português, e para isso contribui o sucesso da Água das Pedras. Esta marca histórica, além de estar cada vez mais dominante no mercado nacional, já conseguiu, "dentro das limitações das fontes", chegar a parte do território espanhol.

"Apesar das restrições nós estamos já há alguns anos presentes em alguns países, mas sem que isso implique um consumo massificado deste bem. Espanha foi dos últimos países a que chegámos e o Brasil é o destino por que mais ansiamos neste momento. Mas acima de tudo o que queremos é uma expansão responsável que não ponha em causa esta água, que considero ser uma parte importante do património nacional", concluiu Bruno Albuquerque.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.